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Tenho verdadeiro fascínio por textos que tratam dos temas que envolvem o silêncio e a solidão e já disse aqui uma vez que sou apaixonado pela história e lições dos padres do deserto, cenobitas embriagados de Deus que buscaram no silêncio e na solidão o caminho para a comunhão divina.
Diz
Ramakrishna (na obra Liberte-se do
passado, Ed Cultrix) que
“Ter
silêncio e espaço interiores é muito importante, porque implica liberdade para
existir, mover-se, atuar, voar. Afinal de contas, a bondade só pode florescer
onde há espaço, assim como a virtude só pode medrar quando há liberdade.
Podemos ter liberdade política, mas, interiormente, não somos livres e, por
conseguinte, não há espaço. Nenhuma virtude, nenhuma qualidade valiosa, pode
funcionar ou medrar sem esse vasto espaço interior. E o espaço e o silêncio são
necessários, pois apenas a mente que está só, livre de influências, de
disciplinas, do controle de uma infinita variedade de experiências, é capaz de
encontrar-se com algo totalmente novo.”
Partindo desse princípio, tão bem colocado
por Ramakrishna, busco sempre ler e reler as obras de autores que sabem
valorizar a importância desses momentos de silêncio e solidão; de Paul Brunton
a Kerouac, de Fernando Pessoa a Paul Bowles, de Hermann Hesse a Hemingway todos
eles em maior ou menor grau souberam da importância de se estar só, talvez pelo
simples motivo de que tanto a solidão quanto o silêncio fazem parte da aventura
do escrever.
Mas acompanhando de perto esses mestres, sei que não era só isso.
Todos eles adoravam longas caminhadas, viagens sem pressa de voltar, e o
reconfortante contato com a natureza para repor as energias. As viagens, assim
como as longas caminhadas, se mostram muito úteis nesse processo transformador
e revelador que nos faz enxergar a vida sob novas e diferentes perspectivas e
possibilidades.
Hoje eu compartilho com você uma poesia, que
tem tudo a ver com o que acabei de escrever e que me chegou pelas mãos de um
poeta lá do Sul, o Ulisses Borges, que além de escrever muito bem tem um ótimo
sexto sentido para as coisas boas que pintam por aí. Valeu, Ulisses! Buen camino!
♣
en
lo alto de la sierra
me
detuve a descansar
pero
sentí que me iba
sin
moverme del lugar
los
ojos se me perdieron
en
aquella inmensidad
y
me olvidé de mi mismo
tanto
mirar y mirar
de
pronto me ha preguntado
la
voz de la soledad
si
andaba buscando el cielo
y
yo respondí quizás
el
cielo está dentro de uno
y
está el infierno también
el
alma escribe sus libros
pero
ninguno los lee
a
veces uno camina
entre
la sombra y la luz
en
la cara la sonrisa
y
en el corazón la cruz
búscalo
al cielo en ti mismo
que
allí lo vas a encontrar
pero
no es fácil hallarlo
pues
hay mucho que luchar
por
caminos solitarios
yo
me puse a caminar
por
fuera nada buscaba
pero
por dentro quizás
(Atahualpa
Yupanqui/ Pablo del Cerro)
♣
Leia e ouça o poema no blogue do Ulisses:
http://ulisses-borges.blogspot.com.br/2014/11/el-cielo-esta-dentro-de-mi.html
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http://ulisses-borges.blogspot.com.br/2014/11/el-cielo-esta-dentro-de-mi.html

