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sábado, 17 de março de 2018

A última viagem de Mirna Grzich


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Gostaria de compartilhar com os leitores o texto abaixo, autoria de Liane Alves, intitulado Vá em Paz, Mirna Grzich. Sei que foge um pouco da temática do Odepórica, mas muitos dos leitores que visitam o blog chegam aqui por conta de uma postagem sobre a Mirna, na verdade sobre um programa de rádio em que ela era a apresentadora, o Música da Nova Era, com textos de Luiz Carlos Lisboa.

Tive o prazer de assistir a algumas palestras da Mirna e de entrevistá-la quando era estudante de jornalismo, em um encontro inter-religioso na Catedral da Sé, durante a Eco 92. Quando todos corriam para ver e tentar falar com o Dalai Lama, eu corria aflito atrás de Mirna, minha musa das noites de domingo. Minha musa de toda a vida.

Obrigado, Mirna, por todas as lições deixadas! Como você dizia no encerramento do programa, “Boa Viagem”!
Vá em paz, Mirna Grzich! Nenhum rótulo será suficiente para descrevê-la.
11MAR2018
by Liane Alves   



Neste 10 de março de 2018, Mirna Grzich (1951-2018) nos deixou para sempre. Mas ficam a voz suave e inconfundível das suas meditações e seu forte desejo de um nível maior de consciência para a humanidade.

Como descrever uma mulher que resumiu toda uma época? Toda uma geração? Com adjetivos como revolucionária, guerreira, libertária, ativista? Uma aquariana legítima, um ser do futuro, a mais conhecida representante da New Age entre nós? Ou seria melhor falar dela como uma jornalista que trabalhou incansavelmente para a evolução da consciência durante sua vida?

A verdade é que nenhum rótulo é suficiente para descrever Mirna Grzich. Como em uma mandala, as diversas Mirnas se abrem e se sobrepõem uma à outra. Impossível dizer qual é a mais verdadeira, qual o seu retrato mais fiel. A única variante que permanece em todas as imagens é o seu sorriso maroto de quem sabe de coisas que nós nem sequer imaginamos.



O primeiro desenho que é possível ver nessa mandala é o de uma garota loirinha de uns seis anos de idade na beira de uma praia no Rio de Janeiro, onde nasceu em 1951. Ela percebe a presença de seu anjo da guarda. Se sente protegida, com tanta confiança nele, que é capaz de lhe dirigir perguntas. A sua curiosidade sobre a vida, o universo, as estrelas, é imensa.

É uma constelação de porquês que vão se repetir por toda sua vida, até ela alcançar respostas, até se estruturar em sua mente um novo tipo de pensamento e atitude. E assim ela mesma se transformar em anjo de outras pessoas, com acolhimento, compaixão e sabedoria.

Anos mais tarde, forma-se a segunda mandala. Ela é uma jovem atriz e jornalista, está em São Paulo. Seu mestre espiritual se chama Agenor, tem 92 anos, e ela se encanta pelo mundo dos orixás e das religiões afro-brasileiras. Conhece o poder das ervas, se apaixona pelos tambores e atabaques.



Participa de uma república no bairro do Bixiga em São Paulo. Trabalha com e diretora teatral Ruth Escobar e convive com artistas como Itamar Assunção, Arrigo Barnabé e atrizes como Tânia Alves e Imara Reis, cuja amizade preserva até o final de sua vida.

“Mirna teve uma vida rica e brilhante. Era um dínamo, com capacidade de criação e produção monumentais. E estava sempre antenadíssíma com o que existia de mais avant-garde no pensamento humano”, conta Imara.

Ativista, luta pelas mulheres, pelo negro, pelo índio e pela justiça social. Mas é a espiritualidade que fala mais alto ao seu coração. Continua com o candomblé até que o mestre Agenor finalmente lhe confessa: o povo dela não é aquele. O povo dela é o de Buda. Mas até chegar esse momento, as águas da vida ainda iriam rolar mais um pouco.



No terceiro desenho é possível se ver a buscadora espiritual que, ainda muito jovem, mergulha fundo nas filosofias orientais, principalmente o hinduísmo. Ela veste túnicas cor de laranja sobrepostas por mil colares. É o auge do Flower Power e ela elege Rajneesh, hoje mais conhecido como Osho, o seu guru. E vai para o ashram do seu mestre no Oregon, nos Estados Unidos.

”No ashram, ela esfrega o chão, trabalha na horta, limpa banheiros. Mas aprende, sobretudo, o que é a meditação”, diz Marli Gonçalves, que trabalhou com Mirna na revista Singular & Plural. E é à prática da meditação que Mirna Grizch vai se dedicar toda sua vida. E isso a leva a se interessar pelo povo de Buda.

Túnica cor de vinho, rosários tibetanos que deslizam sem suas mãos, iniciações, longas práticas e mil prostrações. Chagdud Tulku Rinpoche, que vem morar no Brasil depois visitar o pais regularmente durante anos, é o seu novo mestre. É onde ela mais se aprofunda, até se iniciar no Dzogchen, o conhecimento mais sublime vindo do Tibet.



É também Mirna quem cobre a primeira vinda do Dalai Lama ao Brasil, durante a Eco 92. Depois ela conhece outras linhas do budismo, até chegar ao seu último mestre, Tenzin Wangyal, do budismo Bön, que lhe ensina a Yoga dos Sonhos.

Mas é como a musa da New Age que muita gente conhece Mirna Grzich. Sua voz suave e as músicas da Nova Era embalam toda uma geração durante dez anos em rádios de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, de 1987 a 1996.

Os primeiros textos do programa Música da Nova Era eram assinados pelo jornalista Luiz Carlos Lisboa, e falavam de uma mudança de consciência, que incluía uma espiritualidade abrangente, valores mais humanos, mais ética e sustentabilidade. E, sobretudo, amor.



Nesta quinta mandala, Mirna veste turquesa, usa pedras semipreciosas e medita com cristais. Como muita gente naquela época.

Sua visão de futuro a faz conceber um evento marcante em 1995, o Imaginária. Durante uma semana o futuro do mundo é discutido nos palcos do SESC- São Paulo. As palestras abalam os alicerces de muitas pessoas. A futurista Rosa Alegria, por exemplo, tem coragem de largar seu emprego algum tempo depois para dedicar-se ao estudo do futuro após assistir apenas dois dias de exposições.

Aqui é a Mirna guerreira visionária que toma conta da mandala. Se compromete com tudo que é relativo ao que está avante de sua época. É revisora do primeiro livro de Fabio Novo, Holoplex, e faz o prefácio do segundo, Hiper, considerados marcos significativos nesse campo.



Nesta outra imagem que se abre agora, os seres angélicos voltam para a vida de Mirna Grzich. Ela escreve o seu primeiro livro sobre eles, Anjos, que vende dois milhões de exemplares (o segundo livro sobre o tema, Anjos Agora, viria 15 anos depois, no começo do milênio). Ela já é conhecida nacionalmente como jornalista.

Sua editora de arte preferida é Mabel Böger Carraza, que depois se torna muito amiga. Mirna lança a revista PLANETA Meditação no final da década de 90 e que foi publicada durante cinco anos (de 1998 a 2003). Depois, com a produtora Patrícia Aguirre, a coleção de 16 Cds chamada de Quem é você?, com seus textos e reflexões. 

“Tive a honra e a alegria de participar de vários projetos com ela. Eu fazia a seleção musical e cuidava dos direitos autorais, ela escrevia os textos”. As duas também trazem ao Brasil, Howard Lee, o instrutor de Kung Fu de Carlos Castañeda. Estamos no começo do segundo milênio.

Nos últimos cinco anos, podemos ver Mirna acolher pessoas com lições de sabedoria e palavras de estímulo e coragem na penúltima mandala. O veículo para isso é o Tarot, o Tarot da Alma, como Mirna o chama, que ela aprende na Califórnia na década de 80 com uma grande mestra americana, Ma Sona Prem.



Embora as cartas estivessem à sua frente, é bem possível que o seu coração falasse mais alto. Mirna é guiada pelo seu conhecimento, mas, sobretudo, pela sua intuição. Sensível, sim, mas não “boazinha”. De gênio forte, arruma alguns desafetos pela vida. Mas a maioria a ama incondicionalmente. “Autoritária, terna, amorosa e sábia; esses são os quatro eixos de Mirna”, diz Emanuel Gonçalves Amarante, seu primo, que pretende escrever sua biografia.

No final da vida, todos seus últimos recursos são investidos num aplicativo, Medita!, realizado  conjuntamente com o produtor Maurício Grassmann, onde ela faz reflexões sobre vários temas da vida: da mudança ao recomeço, do fluxo aos obstáculos. Seu sonho: encontrar alguém que bancasse o projeto para que o app pudesse ser baixado gratuitamente.



Generosa Mirna. Ainda pensa em criar uma revista sobre vários assuntos para ser editada junto com o aplicativo Medita!. E busca apoio financeiro junto a empresários para isso.

“Ela uniu tribos, quebrou crenças e paradigmas, sempre na direção da Cultura de Paz. Era ecumênica em seu coração”, diz sua amiga Frances Rose, do projeto Danças Circulares e ligada a Comunidade de Findhorn, na Escócia

Na última mandala que se abre, Mirna está, muito a contragosto, num hospital público municipal de São Paulo. Segundo sua astróloga Xenia Quirino, todo esse triste panorama já está marcado nos céus. Mas no hospital Mirna é tão bem tratada, e cercada de tantos amigos, que se arrepende não ter vindo antes. Complicações diante de um quadro grave de infecção generalizada, porém, a conduzem à morte. No leito da enfermaria, sua expressão é serena, tranquila. Parece feliz. Como se rodeada de Anjos fosse.


Mirna Grzich: Rio de Janeiro, 1951- São Paulo, 2018.
 
Liane Alves, autora desse texto, é jornalista e escreve há 15 anos boa parte das matérias de capa da revista Vida Simples. É uma homenagem dela à desbravadora que foi Mirna Grzich. Esse texto pode ser usado livremente, sem qualquer ônus. Por favor, divulguem. 
Sobre Mirna Grzich aqui no Odepórica: 


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Viagens sonoras e poema de Mirna Grzich: Seja qual for o seu caminho

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Ultimamente tenho gasto algum tempo em casa separando meus cds e passando o material que acho mais interessante para o computador, transformando tudo em mp3 e depois gravando em pen-drives, por gênero. Ainda estou na coletânea new age/world music e você nem tem ideia de como tenho coisa boa guardada ali: desde a coleção completa do Dead Can Dance, meu xodó, até álbuns singulares de bandas e músicos extraordinários que me acompanham desde a época do vinil e das fitas K7.




Então pego o disco do HISHAM, Somewhere in a dream, e não consigo deixar nenhuma canção de fora, como poderia? É tudo tão bom naquele álbum, deserto transformado em música... a mesma coisa se passa com aquele clássico da space music, Aeterna, de CONSTANCE DEMBY. Já ouviu? Pois ouça, é o mais perto do que você conseguirá chegar de uma viagem astral, e sem ajuda de qualquer substância ilícita, pode acreditar.




Nessa linha meio espacial tem o
KITARO, claro. Bastam três acordes e você já sabe que é a música do japa que está tocando. Eu gosto dele, fiz muita meditação ouvindo seus trabalhos, mas no fundo o acho meio repetitivo, creio que falta um pouco o elemento surpresa, então o resultado acaba sendo meio previsível. Ainda assim, um clássico e obrigatório na coleção dos viajantes sonoros, pelo menos esses quatro álbuns: Silk Road, Mandala, Tenku e Dream.

E como o Japão me remete ao Zen, quando quero viajar nessa onda peço auxílio prá quem domina a arte com excelência: YÔICHI OKADA. O som desse flautista é arrebatador. Gravou uma trilogia intitulada Flauta Zen, com peças autênticas de música zen compostas e transmitidas por monges japoneses em diversos templos e mosteiros budistas.




A prática da meditação tocando e ouvindo o shakuhachi, uma flauta de origem chinesa feita de bambu, começou por volta do século XII e era chamada de Sui Zen, o “zen do sopro”. Seu objetivo era conseguir a experiência da iluminação através da flauta, ou “tornar-se Buda em um som”. Tocar o shakuhachi era uma forma de meditação nos templos Fuke (período Edo, 1614), de modo que a flauta não era considerada simplesmente um instrumento musical, mas uma ferramenta religiosa. Tudo isso quem pesquisou foi o Francisco Casaverde, e copiei tudo lá do encarte do vol III da coleção.



Se achar em algum lugar (comprei os meus aqui mesmo, numa livraria), não hesite: leve, senão todos, pelo menos um dos três cds do Yôichi Okada. Palmas prá ele que ele merece, como diria o grande Leminski.



E um viva! - que vai para um brasileiro que parece até que nasceu no lugar errado: HELDER ARAÚJO. Tem nome de mórmon mas seu lance é com a Índia, dedilhando uma cítara mágica que faz os cabelinhos do braço arrepiar. E põe a gente prá viajar instantaneamente, seja em que ásana for. Um incensinho ajuda a criar o clima, é claro, e depois é só se deixar levar, ir embora, voltar... uma sensação única. Dele só conheço duas obras, ambas estupendas: Atmãnam e Samãdhi.



Nessa praia tem também o
ALBERTO MARSICANO, um outro brasileiro que domina a cítara e, em minha opinião, faz um trabalho muito mais bonito do que o do Ravi Shankar (de quem é discípulo), que já tocava com os alternativos lá nos perdidos anos 60, você sabe. Os discos mais legais do Marsicano: Benares e Impressionismos – neste último a magnífica faixa Gymnopédie nbr 1, de Erik Satie, que por acaso é a música que abria aqui em Sampa o programa Música da Nova Era, com a Mirna Grzich, de quem logo vamos falar, calminho aí.



Continuando com os brazucas: há dois discos que você iria ficar muito feliz de poder ouvir: Essencial (lançado também como Tai-Chi - Gestos de Equilíbrio) e O Taoísmo (foto acima), da
PRISCILLA ERMEL. Na capa do Essencial a bonita compositora e multinstrumentista aparece dedilhando uma cítara. Sei não, acho que brasileiro tem um lance com essa tal de cítara. E não é que a mistura combina? Dá prá juntar cítara com berimbau? Dá sim, e só ouvindo prá saber como fica bom, feito arroz e feijão. Aliás, arroz e lentilha, que é prá dar o crédito aos amigos da terra de Ganesha. Jaya!




Também curto muito a sonoridade meio fake da música celta irlandesa. Por mim, tudo bem, mas andei lendo que os puristas torcem o nariz para esse gênero, mas o que sabem eles, né? Acho a
LOREENA um arraso, já até escrevi sobre ela aqui no Odepórica. Depois daquele post, ela lançou o excelente The wind that shakes the barley, tão bom quanto seus trabalhos anteriores.

Da
ENYA não gosto, porque enjoei, mas na época valeu, abriu caminhos, trouxe novas sonoridades, mas pena, parou no tempo e se apegou demais ao som chatinho dos sintetizadores, que só devem estar ali, na música, como acompanhamento e não como prato principal, viu Enya?




E não é que dessa onda celta veio uma leva de cantoras irlandesas? Prá mim, todas bacanas e quando o preço não assusta, vou lá e compro. E tem as bandas, que são bem melhores que as mulheres de vozes angelicais;
CHIEFTAINS, eu adoro, e assim como a Lorenna, também já estiveram postados aqui; o CLANNAD (foto acima) é outra banda irlandesa que faz boa música celta, às vezes cai mais no pop, mas mesmo assim são bárbaros. E são todos parentes diretos da Enya, ou seja, a música está no sangue do clã mesmo.




Tem também a música celta galega, que dela não posso deixar de falar. Entre os que mais me comovem, dois grupos: MILLADOIRO e LUAR NA LUBRE, que até já andou dando canja por aqui há um par de anos. O
Milladoiro faz um som incrível, unindo o folclore galego com a rica sonoridade celta, cheia de traços escoceses; um álbum, pelo menos, deveria fazer parte da discoteca de todo e qualquer bom amante de música clássica: Iacobus Magnus.





Esse disco instrumental, gravado nos estúdios de Abbey Road de Londres em 1993 é verdadeiramente, e em essência, uma viagem musical pelo Caminho de Santiago (daí o Iacobus do título). A faixa que abre o álbum, Pórtico (referência ao Pórtico da Glória, obra prima de Mestre Mateo na Catedral de Santiago) é para ouvir dez milhões de vezes, assim como Onde vai aquel romeiro?. E o resto do disco também.




Envoltos em um ambiente misterioso, os músicos do Milladoiro, de origem folk, tocam junto com a pomposa The English Chamber Orchestra, numa mistura admiravelmente equilibrada e fascinante. O encarte, que está escrito em galego, traz um texto cheio de mensagens cifradas e numa passagem se lê assim: “Para nós, Milladoiro, Iacobus Magnus implicou por transitar por um caminho convertido em longo pentagrama que se ofereceu em silêncio para empreender uma viagem entre o labirinto das cinco linhas com as suas chaves e mistérios incluídos.” Sei lá o que eles quiseram dizer com isso, mas esses galegos são sempre cheios de atitude.




Os do
LUAR NA LUBRE não são assim tão esotéricos, e a música deles é melodiosa, meio triste, com aquela melancolia charmosa tão presente na música irlandesa. O melhor disco da turma, ainda com a abençoada voz de Rosa Cedrón (que já saiu da banda) é sem dúvida o Cabo do Mundo. Lindo é um adjetivo que não chega nem perto prá qualificar esse álbum. É sublime. Duas canções que se você conseguir baixar por aí vão te deixar muito bem impressionado/a: Chove em Santiago e Romeiro ao Lonxe, versão galega para a clássica Scarborough Fair, sempre regravada por todo mundo mundo afora.





E prá terminar com os celtas, tem que ouvir alguma coisa do BILL DOUGLAS, viu? Um must, instrumental quase sempre, com coro dos anjos do céu de vez em quando, ele arrasa. Basta um, do Bill: Circle of Moons, com o “hit” new age Heaven in a Wild flower, cuja letra vem de uma poesia de William Blake que diz o seguinte:

To see a world in a grain of sand,
And Heaven in a wild flower,
Hold infinity in the palm of your hand
And eternity in an hour.



Lindo mesmo. Algo bem mais simples, celta também, só que com uma pegada barroca, acústico, é o trabalho do GREG JOY, que toca violão que é uma beleza. Um folk celta, tem dois discos que merecem o investimento e já foram lançados aqui: Celtic Secrets I e II. Além do violão do Greg, tem o som das flautas, dos tinwhistles, de viola... coisa boa de verdade, bom prá ouvir com amigos, para celebrar a vida.



E os americanos, que adoram inventar moda como ninguém, criaram uma sub-categoria dentro da vasta categoria new age chamada
Fairy Music, que é, o nome já diz, a música inspirada pelos elementais da natureza, as fadas, os elfos, salamandras, ondinas e quem mais chegar. Não é coisa de criança não, mas elas bem que gostam dessa sonoridade, tem que ver. Um dos nomes mais aclamados nesse estilo surreal é GARY STADLER e ele merece a fama que tem.




O álbum Fairy of the woods é um arraso, principalmente porque conta com a participação de
SINGH KAUR, já falecida, cujo trabalho com KIM ROBERTSON (Crimson Collection) ganhou, merecidamente, a aura de clássico dos clássicos da new age dos anos oitenta e noventa (na vertente mantra music). Outros títulos que fazem a cabeça dos brothers elfos e das sisters elfas são Fairy Nightsongs e Fairy Heart Magic.




Mais bacana ainda é o som de uma banda que desde que comprei o cd nunca mais parei de ouvir. Um feitiço, portanto cuidado antes de se aventurar no universo de WOODLAND. Também levam esse lance de fadas a sério (assista aos vídeos no youtube). Música que embriaga, o primeiro trabalho deles intitula-se Twilight (2003, nada a ver com o filme homônimo boboca) e é de se ouvir ajoelhado levantando as mãos aos céus. Kelly Miller-Lopez (foto abaixo) é dona de uma voz doce e suave e como se isso não bastasse, ela ainda arrasa na harpa, no whistle e nas flautas nativas. Que beleza, não?



Tudo é magnífico no Woodland: as letras são inspiradíssimas, o encarte do álbum é um arraso e, o mais importante, os músicos da banda são de primeiríssima linha, com harpas, violinos, flautas, piano e percussão sintonizados numa energia avassaladora. Tente baixar a canção que abre o disco, I Remember. E tome cuidado que vicia.




Outras sonoridades nota mil: Paul Horn, Steven Halpern, Gandalf, Mike Oldfield, Kamal, Peter Kater, David Darling, Deuter, Carlos Nakai, Medwyn Goodall, Andreas Vollenweider, Vangelis, George Winston, Steve Roach, Tangerine Dream, Ray Lynch, Robert Gass and On Wings of Song, Oliver Shanti (baixe a música Sacral Nirvana, do álbum Tai Chi too e seja feliz para sempre)... todos eles mestres absolutos, e cada um mereceria um post, só que preciso de mais tempo para isso. Poquito a poco vamos enveredando por essas e outras trilhas sonoras.





E eu nem falei dos meus queridos álbuns de mantras, que não são poucos e são muito bons, assim como a minha coleção de música antiga (Early Music), contemplando o período medieval e renascentista com peças que atiçam os cantos mais escondidos da sua alma.

Quanta viagem! Quantos caminhos! A música cumpre bem esse papel, leva a gente para os lugares mais inacessíveis do planeta, para outras dimensões até.



E tudo isso que acabei de escrever devo à bendita MIRNA GRZICH, essa mulher de boa fé e linda voz, que durante muitos anos dividiu seus conhecimentos com uma legião de fãs em seu extinto programa Nova Era, que a Rádio Eldorado levava ao ar nas noites de domingo. Já escrevi sobre isso aqui no blog, se você não leu, leia, que há um link no final do post que te dá uma ideia da egrégora fantástica que rolava naquelas gravações do programa.

A Mirna não tem mais programa de rádio, o que é uma pena. Mas descobri no youtube um canal bacaníssimo onde ela dispôs muitas gravações, de coletâneas variadas em que andou participando nas últimas décadas. A Mirna escreve, se amarra nessa parada de anjos e quem a ouve entende: ela mesma parece ser um. Será?




E já que temos que por um ponto final nessa postagem, que o façamos com estilo, transcrevendo um texto da Mirna que eu classificaria como um “poema espiritual”. O título (clique nele para ouvir a própria autora lendo) é “
Seja qual for o seu caminho”. Namastê!


Seja qual for o seu caminho, seja você mesmo.
Seja qual for o seu caminho, seja generoso.
Seja qual for o seu caminho, seja justo.
Seja qual for o seu caminho, seja impecável.
Seja qual for o seu caminho, seja verdadeiro consigo mesmo.
Seja qual for o seu caminho, seja amoroso.
Seja qual for o seu caminho, seja Mestre de si mesmo.
Seja qual for o seu caminho, seja alerta sobre as suas emoções.
Seja qual for o seu caminho, saiba que a vida é um sonho.
Seja qual for o seu caminho, seja não domesticável.
Seja qual for o seu caminho, seja livre.
Seja qual for o seu caminho, tenha compaixão.
Seja qual for o seu caminho, seja responsável.

Visite e delicie-se: Canal de Mirna Grzich no Youtube. Basta clicar
bem aqui.