quinta-feira, 22 de junho de 2017

Clics odepóricos: o trabalho de Eydís Einarsdóttir

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No último post, sobre a arte da quietude, comentei sobre as imagens que ilustram o texto do Pico Iyer, trabalho da fotógrafa Eydís Einarsdóttir que muito enriquecem a leitura desse bonito texto sobre as aventuras rumo a lugar nenhum. No final da obra há uma pequena introdução à arte da fotógrafa islando-canadense:

“Einarsdóttir começou sua viagem fotográfica na infância, por influência do pai – um fotógrafo notável -, da mãe, artista, e da iluminada paisagem da Islândia. As palavras que melhor descrevem seus trabalhos são detalhe, contraste e simplicidade. Seu domínio sutil das cores e o talento com a iluminação criam um efeito visualmente diferenciado e sedutor.”



De fato, há uma beleza peculiar nas imagens capturadas pela fotógrafa que fazem da leitura dessa pequena obra de Pico Iyer uma experiência quase sensorial, como se imagem e texto se fundissem numa única linguagem, um casamento perfeito entre literatura e arte fotográfica.

Transcrevo a seguir um texto sucinto escrito por Eydís Einarsdóttir, onde percebemos o papel fundamental da viagem em sua produção artística. As imagens são as mesmas que compõem a obra supra citada.



Quietude ou, em islandês, kyrrô  – a palavra em si já me transporta para um dos poucos lugares onde encontrei a quietude perfeita de corpo e mente: a Islândia.

Todo ano viajo da minha casa, em Vancouver, no Canadá, para a Islândia, onde nasci. Não fico muito na cidade. Costumo me instalar no silencioso chalé dos meus pais, ao lado de um lago, para eliminar o estresse e experimentar kyrrô og ró (paz e quietude).



Depois de alguns dias de descanso, faço excursões com meus pais ao redor da ilha. Para mim, essas viagens são menos uma exploração fotográfica do que um momento para visitar meu “velho” país; a câmera simplesmente vai junto. No entanto, como a Islândia oferece tantas vistas e luzes de tirar o fôlego, inevitavelmente acabo parando aqui e ali.

Assim que pego a máquina, encontro essa quietude dentro de mim, o sentimento profundo de paz que busco todo dia. Fico tão maravilhosamente perdida que é difícil descrever. É como se tivesse encontrado um pedaço de mim que perdi, sem saber que tinha perdido.



Quando fico imóvel olhando pela lente do visor, meus sentidos se apuram. O cheiro da terra faz com que em me sinta enraizada, o som das ondas quebrando, da grama farfalhando ao vento ou do balido distante de uma ovelha solitária me dão a sensação de estar viva.




A vastidão de tudo o que vejo me torna expansiva. Isso é estar no Agora, que, na verdade, é estar quieto de corpo e mente. Minhas fotos vêm de um lugar de emoção. Não tento captar imagens perfeitas, mas sim o sentimento que vivi ao testemunhar as coisas que estavam à minha frente.


Saiba mais sobre o trabalho da Eydís Einarsdóttir no blog da fotógrafa:

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