segunda-feira, 18 de julho de 2011

Clássicos da Literatura Odepórica: Uma caminhada na floresta, by Bill Bryson

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Imagine uma rota de caminhada bem grande. Aliás, imagine uma trilha absurdamente grande, cujo percurso ultrapasse os três mil quilômetros de uma ponta a outra, o que equivaleria à distância de Curitiba a Natal, por exemplo. Ou então, só para você ter uma noção do quão cansativa deve ser a aventura, pense em percorrer o Caminho de Santiago, a rota completa desde os Pirineus aos cafundós da Galícia, duas vezes. Ida e volta.

Mas não termina aí não, camarada. Imagine que nessa trilha você terá muitas subidas, perambeiras, muitas montanhas cricris pela frente, algumas delas entre as mais altas do território. Ah, sim, e para dar um toque de aventura, imagine que a qualquer momento você poderá dar de cara com um urso, que tal? E bem na hora do almoço – o dele, é claro. Já imaginou?

Pois o Bill Bryson, um autor estadunidense muito atrevido, não se contentou em imaginar como seria essa trilha doida não. Ele simplesmente resolveu encarar o lance. E olha que nem era tão jovem assim, à época do empreendimento. Contava com 44 anos, estava fora de forma e acima do peso.


Quase que no último momento, às vésperas de cair na estrada, um amigo dos tempos do colégio topou acompanhá-lo. Pior que ele em tudo: mais gordo, menos preparado, sem grana e ex-alcoólatra, ou seja, aquilo que os americanos costumam chamar (mui grosseiramente) de “loser”, um fracassado. Katz, seu nome, a quem o livro é dedicado, pode até ser um desajustado, mas na narrativa do Bill é ele quem faz toda a diferença.

Uma caminhada na floresta: redescobrindo os Estados Unidos pela Trilha dos Apalaches é um dos livros mais divertidos que você irá ler dentre tantos bons títulos da literatura odepórica. Tem tudo na medida certa: informações interessantes, suspense, humor (quase sempre negro, o que é melhor ainda) e um ritmo narrativo que não tropeça em nenhum momento. O autor parece ser o tipo de cara com quem você não hesitaria em passar algumas horas bebendo num bar, rindo de suas aventuras e de seus perrengues.

E o que faz com que nos sintamos próximos do Bill é o fato de ele possuir um senso crítico muito raro de se encontrar em relatos de aventura, onde via de regra o narrador se vê (ou tenta fazer com que você o sinta) como um herói ou como uma vítima frente às adversidades encontradas pelo caminho. Nem um, nem outro, o Bill é uma pessoa tão comum quanto qualquer outra que você conheça e é isso o que faz dele alguém tão diferente. Esquisito, né?




E daí que o livro não começa perdendo tempo. O Bill já nos introduz na trilha botando medo, anunciando que o lance não é para amadores e amadoras não. Sei que é feio rir da desgraça alheia, mas fica difícil evitar, porque nem verdade parece. Estou falando de alguns pequenos relatos que o Bill ouviu ou leu quando começou a pesquisar sobre a Trilha dos Apalaches. Veja só que horror:





Quase todos com quem falei tinham alguma história horripilante para contar sobre um amigo ingênuo que partira para a trilha com grandes esperanças, botas novas, e voltara aos trancos e barrancos dois dias depois, com um lince agarrado na cabeça ou com sangue pingando de uma manga sem braço, murmurando “Urso” com voz rouca, antes de desmaiar.



(...) Coisas literalmente inimagináveis poderiam acontecer a você naqueles lugares. Ouvi a história de um homem que saiu à noite de sua barraca para fazer xixi e foi atacado violentamente por uma coruja míope – a última vez que viu seu escalpo, ele pendia das garras da ave, compondo uma silhueta graciosa contra a luz da lua – e a de uma jovem que foi acordada por uma comichão sinuosa na barriga, espiou dentro do saco de dormir e viu uma cobra venenosa aninhando-se no quentinho entre suas pernas.



Ouvi quatro relatos separados (sempre contados com um risinho de satisfação) de campistas e ursos compartilhando a mesma barraca durante alguns momentos confusos e animados; de gente que, surpreendida durante uma escalada por uma tempestade, evaporava abruptamente, atingida por um raio (“Não sobrou nada dele, só uma marca de queimado”); de barracas esmagadas por árvores, ou jogadas em precipícios pela correnteza produzida pela chuva e que voavam para vales distantes, ou varridas pela parede líquida de uma inundação repentina; de inúmeros excursionistas cuja última experiência foi um tremor de terra e um pensamento desnorteado: “E agora, que porra está acontecendo?”.



Deu pra sentir o que vem pela frente, não? E esses pequenos excertos que você acabou de ler aparecem logo na segunda página, que é pra não restar dúvidas quanto aos imprevistos – se é que podemos chamar essas tragédias de imprevistos – que aguardam os aventureiros/as da Trilha dos Apalaches. Como meu lado masô está menos reprimido hoje, aqui diante desse computador enquanto o sol brilha lindamente do lado de fora desse dia em que o inverno deu uma trégua, não resisto a transcrever outras passagens torturantes que também vão satisfazer o leitor e a leitora masôs:

Depois, havia todas as doenças que espreitavam do mato – infecção intestinal por Giardia lamblia, encefalomielite eqüina, tifo exantemático, síndrome de Lyme, infecções por Helicobacter pylori, Ehrlichia chaffenis, equistossomose, brucelose e desinteria bacilar, para dar apenas uma amostra. A encefalomielite eqüina, causada pela picada de um mosquito, ataca o cérebro e o sistema nervoso central. Se você tiver muita sorte, pode passar o resto de sua vida numa cadeira com um babador no pescoço, mas em geral ela mata. Não há cura conhecida.

Não menos interessante é a síndrome de Lyme, provocada pela mordida de um carrapato de cervo menor que uma cabeça de alfinete. Se não for detectada, pode ficar latente no corpo humano durante anos, até que detona um festival de doenças. Trata-se de uma síndrome para quem quer experimentar de tudo na vida: os primeiros sintomas são dor de cabeça, fadiga, febre, tremores, falta de ar, tontura e dores agudas nas extremidades, depois surgem irregularidades cardíacas, paralisia facial, espasmos musculares, danos cerebrais graves, perda de controle sobre as funções corporais e – nenhuma surpresa, diante das circunstâncias – depressão crônica.





Há também a pouco conhecida família dos organismos chamados de hantavírus, que enxameiam a microatmosfera logo acima das fezes de ratos e camundongos e são aspirados pelo sistema respiratório de alguém azarado o suficiente para enfiar o nariz em algum lugar perto deles – deitando-se, por exemplo, num lugar por onde ratos infectados acabaram de passar.

Em 1993, um único surto de hantavírus matou 32 pessoas no Sudoeste dos Estados unidos, e no ano seguinte a doença fez sua primeira vítima na trilha, quando um caminhante foi infectado após dormir num “abrigo infestado de roedores”. (Todos os abrigos da trilha estão infestados de roedores.) Entre os vírus, com certeza somente o responsável pela raiva, o Ebola e o HIV são mais letais. De novo, não há cura.

Por fim, tratando-se dos Estados Unidos, há sempre a possibilidade de um assassinato. Pelo menos nove excursionistas – o número exato depende da fonte que você consultar e de como você define um excursionista – foram mortos ao longo da trilha desde 1974. Duas jovens morreriam enquanto eu estava por lá.

Mas vamos deixar essa temática deprê prá lá, que a minha intenção não é a de afastar meus parcos leitores desse mal-ajambrado blog. Pé-de-pato, mangalô, três vezes e que nada disso aconteça com a gente em nossas caminhadas por aí.



É claro que o Bill Bryson colocou tudo nesses termos com a intenção de dar à Trilha uma aura ainda mais aventureira, como se os seus três mil e tantos quilômetros já não bastassem para nos deixar com a boca aberta e o queixo bem caído. Encarar esse drama pede doses generosas de espírito aventureiro e, sinto informar, uma também generosa conta bancária, porque essa trilha é impraticável aos aventureiros pés de chinelo, a começar pelo alto custo dos equipamentos e pelos meses de afastamento do trabalho, se o viajante ainda estiver na ativa.

Parece que o que não falta são obras documentais sobre a Trilha dos Apalaches; o autor relata que comprou uma caríssima coleção intitulada Guias da Trilha dos Apalaches, composta por onze pequenos livros e “59 mapas de diferentes tamanhos, estilos e escalas, cobrindo toda a trilha, da montanha Springer ao monte Katahdin”. (veja o mapa da trilha abaixo)

Acho que eu disse que não transcreveria passagens como as anteriores sobre os percalços da longa rota, de modo que para seu desapontamento (ou alívio, vai saber), vou pular o capítulo em que o Bill discorre longamente sobre ataques de ursos, não tão raros na Trilha dos Apalaches segundo ficamos sabendo em seu relato. Mas não consigo evitar um momento de humor negro (meu tipo de humor predileto); é uma passagem onde Bill responde à pergunta, absurda embora plausível, de como reagiria caso quatro ursos invadissem seu acampamento, um fato ocorrido de verdade e documentado em uma obra sobre os ataques desses animais gigantescos. É sua praia? Então anote o nome da obra: “Ataques de ursos: suas causas e como evitá-los”, de um professor universitário canadense chamado Stephen Herrero. Diz aí, Bill, o que você faria se topasse com quatro ursos no acampamento?



“Que diabos eu faria? Ora, eu morreria, é claro. Literalmente, me borraria até morrer. Iria estourar meu esfíncter como uma língua-de-sogra – ouso dizer que com um apito festivo – e sangraria até ter uma morte imunda em meu saco de dormir.”

Nojento, não? Mas o Bill tem esse lado escatológico peculiar que eu simplesmente adoro. Prossigamos. No capítulo 2 ficamos conhecendo Stephen Katz, o amigo da juventude em Iowa, terra natal de Bill, e com quem já havia perambulado pela Europa um par de décadas atrás.



Katz, dono de uma personalidade apatetada, traz ao relato e à viagem de Bill um colorido indispensável a toda e qualquer aventura. É o tipo de cara sem noção de nada, desencanado, às vezes meio melancólico, outras vezes radiante de felicidade (com coisas simples como poder assistir na TV de um motel de estrada a um capítulo de Arquivo X, “o melhor seriado de todos os tempos”) e, acima de tudo, companheiro fiel e destemido, sem nunca perder a pose frente às agruras da jornada. Um contraponto perfeito à personalidade mais equilibrada de Bill. Se fôssemos migrar o relato de Bill para os quadrinhos, ele seria o Mickey e Katz, o Donald.



Embora a narrativa do autor seja linear, vez ou outra ele sai da trilha e gasta algumas linhas divagando sobre peculiaridades que sempre têm alguma relação com a viagem pelos Apalaches; a começar pela trilha propriamente dita, que ficamos sabendo foi terminada formalmente no ano de 1937, com a abertura de um trecho de três quilômetros nas florestas do Maine. Obviamente, o traçado original sofreu, e continua sofrendo, constantes modificações ao longo das décadas. Hoje a Trilha dos Apalaches não é a mais longa trilha pedestre do mundo, embora continue sendo a mais ilustre. (perde por pouco para as trilhas da Crista do Pacífico e da Divisória Continental, no Oeste americano).



Não dá para falar de trilhas sem falar de florestas, certo? No capítulo 4 Bill nos diverte falando delas e sua opinião me pareceu muito interessante e peculiar:

As florestas são fantasmagóricas. Independentemente da ideia de que possam esconder animais selvagens e sujeitos armados e geneticamente desafiadores que atendem pelo nome de Zeke ou Festus, há algo intrinsecamente sinistro nelas – uma coisa inefável que o faz pressentir uma atmosfera de perdição e de fim potencial a cada passo, deixando-o profundamente consciente de que você está fora de seu meio e precisa manter as orelhas em pé.



Embora diga para si mesmo que é ridículo, você não consegue afastar por completo o sentimento de que está sendo observado. Quer ficar calmo – é apenas mato, pelo amor de Deus -, mas na verdade está mais apreensivo do que um xerife covarde com o revólver na mão. Todo ruído súbito – o estalido de um galho, o barulho de um veado em fuga – faz você girar assustado e conter um pedido de clemência.



Depois disso ele divaga um pouquinho mais e chama Thoreau (Henry David Thoreau, autor do clássico Walden) de cagão, (bem, não usou exatamente esse termo, mas a ideia foi exatamente essa), presunçoso e tedioso, mas isso é a opinião do Bill, que Deus o perdoe. Prossegue no parágrafo seguinte citando Daniel Boone:



Mas mesmo homens muito mais durões e afinados com o mundo selvagem do que Thoreau ficavam sóbrios e sensatos diante de sua ameaça estranha e palpável. Daniel Boone, que não só lutava com os ursos como tentava namorar as irmãs deles, descreveu as regiões meridionais dos Apalaches como “tão agrestes e horríveis que é impossível contemplá-las sem terror”. Se Daniel Boone fica apreensivo, você sabe que está na hora de tomar cuidado.

E eu que pensava que Daniel Boone fosse tão real quanto o Zé Colméia me vi surpreso com a citação acima. Vivendo e aprendendo. Aliás, aprender com Bill faz parte do jogo em sua leitura. Sempre há alguma coisa interessante sobre um fato, algum dado científico, algumas estatísticas pseudo-acadêmicas que parecem surgir por lá como quem diz, “Hey, veja só, relato de viagem também é cultura, você definitivamente não está perdendo seu tempo aqui, amigão!”. O pior (ou melhor) é que é isso mesmo.

Bill e Katz não encontram muitas pessoas as quais possam ser nominadas nesse relato; entretanto, há uma figura que ganha boas páginas de destaque na primeira metade da viagem. Seu nome é Mary Ellen, uma jovem caminhante gorducha, metida e irritante que ganha a seguinte descrição de Bill:



Sei há muito que faz parte dos planos de Deus que eu passe algum tempo com cada uma das pessoas mais estúpidas da face da terra: Mary Ellen era a prova de que, mesmo nas florestas dos Apalaches, eu não seria poupado.

Não, ele não está exagerando nem um pouco ao referir-se desse modo a Mary Ellen, se levarmos em consideração a veracidade dos acontecimentos ocorridos naquela viagem. Para nós, leitores, todas as Mary Ellens são bem-vindas, claro, pois que graça tem uma viagem sem esses tipos estranhos pelo meio do caminho?

Para quem alguma vez já fez longas caminhadas por trilhas, como o Caminho de Santiago ou a Trilha Inca ou as já bem divulgadas por aqui e inspiradas na rota jacobea como os Caminhos do Sol, da Fé, da Luz, das Missões, Passos de Anchieta entre outros tantos, é interessante notar como várias situações vividas por Bill em sua viagem pelos Apalaches fazem parte de um tipo de padrão comum a viagens dessa magnitude (com elementos comuns entre si: a viagem a pé, longa duração, grandes etapas, solidão, sofrimento físico, mudança de valores conforme a viagem avança...).



Depois de cinco dias caminhando e acampando na floresta, relata Bill, “uma estrada asfaltada, o barulho de carros passando e uma casa de verdade podem parecer coisas emocionantes e estranhas”.
Continua:

Só o fato de passar por uma porta, estar dentro de algum lugar, cercado por quatro paredes e um teto, era inusitado. (...) Eu estava começando a aprender que a característica central da vida na Trilha dos Apalaches é a privação, que o ponto essencial da experiência é afastar-se tão completamente das comodidades da vida cotidiana que as coisas mais comuns – queijo pasteurizado, uma lata de refrigerante gelado – o enchem de encanto e gratidão. É uma experiência inebriante tomar Coca-Cola como se fosse a primeira vez e ser conduzido à beira do orgasmo por uma fatia de pão branco. Faz todo o desconforto valer a pena.


Sobre as regras de civilidade, estas também se alteram numa viagem desse porte, onde o mote principal é, e sempre será, o de seguir, seguir, seguir, até onde suas forças permitirem; tomar banho diariamente, assoar o nariz com um lenço descartável, lavar as mãos após usar o banheiro (banheiro?) isso tudo faz parte de um passado muito distante. Um exemplo breve pincelado da narrativa de Bill, quando ele e Katz passam uma noite terrível num abrigo infestado de roedores:



“Nada como uma boa noite de sono, e esta noite não foi nada parecida com uma boa noite de sono”, concluiu, bufando, quando se mexeu. Descobri mais tarde que ele estava feliz porque matara sete camundongos, e sentia-se muito orgulhoso – para não dizer cheio de si, achando-se um gladiador.

Um tufo de pelos e restos de uma coisa cor-de-rosa e carnuda estavam grudados no fundo de seu cantil. Notei quando Katz o levou aos lábios. De vez em quando me perturbava ao perceber – suponho que isso aconteça com todos os excursionistas – o quanto somos capazes de esquecer as regras normais de civilidade quando estamos na trilha. Aquele foi um desses.


Muitas coisas ainda virão pela frente nesse relato, porque, apesar de tudo o que você já leu até aqui, não contei nem um quinto de tudo o que você irá encontrar pela frente caso decida se jogar de cabeça nas 280 páginas da edição brasileira da obra. É tanta coisa legal e divertida que eu mesmo já li esse livro três vezes e sei que voltarei a lê-lo outras tantas. Para finalizar (é claro que não contarei como essa aventura termina) quero transcrever uma passagem em que o autor fala do contraste que sente aquele que sai de um ambiente cheio de energia e sacralizado, como o de uma floresta, e entra no feio e desconectado ambiente metropolitano, profanado e de certo modo destruído pelas mãos do próprio homem. Um insight surpreendente e lindo de Bill Bryson:





Lembro ter lido certa vez sobre alguns índios da Idade da Pedra que viviam na floresta tropical brasileira que nem pensavam que existisse um mundo fora da selva. Eles foram levados para São Paulo e para o Rio e, quando viram os edifícios, os carros e os aviões que passavam, acabaram mijando nas calças, profusamente e em uníssono. Eu tinha alguma ideia de como se sentiram.

É um contraste muito estranho. Quando você está na trilha, a floresta é seu universo, infinito e inteiro. É tudo o que você vivencia, dia após dia. Por fim, é quase tudo o que você consegue imaginar. Você tem consciência, é claro, de que em algum lugar do horizonte existem cidades imensas, fábricas movimentadas, rodovias congestionadas, mas ali naquela parte do país, em que as árvores cobrem a paisagem até onde seus olhos podem ver, é a floresta que dá as ordens.





Mas ao sair da trilha e ir de carro até um lugar qualquer – era isso o que estávamos fazendo – você percebe que tudo não passava de uma grande ilusão. As montanhas e florestas eram apenas um pano de fundo – familiar, conhecido, próximo, não mais altivo ou notável do que as nuvens que corriam rapidamente sobre suas cristas. Aqui, o mundo real estava bem perto de você e era ele quem dava as ordens: postos de gasolina, Wal-Marts, K-marts, Dunkin’ Donuts, Blockbusters, um desfile incessante e hediondo de estabelecimentos comerciais.

Até mesmo Katz ficou nervoso com aquilo. “Putz, como tudo isso é feio”, suspirou, pasmado, como se nunca tivesse visto nada igual, olhei por sobre seus ombros e vi um vasto shopping center com um estacionamento do tamanho de uma pradaria. Concordei. Era horrível. E então, profusamente e em uníssono, mijamos nas calças.

Leia: Uma caminhada na floresta: redescobrindo os estados Unidos pela Trilha dos Apalaches. Bill Bryson. Companhia das Letras, 1999.

Para ir direto à página oficial do Bill Bryson, clique bem aqui

Para descobrir o que o Bill tem feito de bom, outro site dele, mas com foco nas obras. Dê uma espiada clicando aqui

Sites sobre a Trilha dos Apalaches:

www.appalachiantrail.org
www.appalachiantrail.com

7 comentários :

  1. cara....esse livro deve ser muito interessante!

    muito obrigado pela dica e pela matéria...

    conforme fui lendo a matéria, fui vendo que até nessa trilha meio comédia trágica concordamos que existem padrões de acontecimentos que o peregrinador deve enfrentar, superar e aprender.

    Eu só fiquei sem entender uma coisa:

    Não entendi porque o autor chama Thoreau de cagão. ehhehehe

    Pow, o cara morou muito tempo isolado, andava durante as noites pela floresta e não tinha qualquer tipo de medo. Essa vou ter que descobrir...

    abraço!

    Namastê

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  2. Hey, Eduardo! Namastê!
    Você pegou bem o espírito da coisa, como se dizia antigamente. O lance com o Thoreau é simples: nas "aparências", se fosse o caso de comparar a aventura do Thoreau com as de outros viajantes dos Apalaches, que enfrentaram ursos, cobras e tudo aquilo que vc leu nos excertos, viver um par de anos numa cabana em frente ao lago é quase um conto de fadas. Mas o que os críticos do Thoreau não parecem entender é que a grande viagem dele aconteceu numa outra dimensão, né? É preciso sim ter muita raça prá encarar meses numa casinha no lago...já imaginou quantos ursos o Thoreau não teve que enfrentar ali naquela cabana? AbraçOM, pc

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  3. Muito bom relato Césare. Vou procurar esse livro com certeza. Não conhecia o tal Bill Bryson.

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  4. Legal, 3F! Vai gostar de montão dessa obra. E o bom é que no site da estante Virtual você a encontra a partir de 10 reais, preço de uma revista...saludos, pc

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  5. Encomendei ainda hoje de tarde mr. Césare. Saiu por 12 pilas e chega semana que vem. Viva a internet e os correios!

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  6. Oi Paulão, tudo beleza. Estou colocando a leitura em dia. Acho que em uma semana fico inteirada, pelo menos no seu blog. Hahaha...Gostei desta matéria, quero saber mais do ponto de vista do Bill sobre a floresta. Vou ver se acho o livro dele aqui na biblioteca. Valeu, beijocas, Pá

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  7. Você vai curtir de montão, tenho certeza! bjs,pc

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