sexta-feira, 7 de maio de 2010

Clássicos da Literatura Odepórica: Zen e a arte da manutenção de motocicletas, by Robert Pirsig

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Há anos tinha vontade de ler essa clássica obra dos anos 1970, Zen e a arte da manutenção de motocicletas: uma investigação sobre valores, de Robert M. Pirsig. Já nem me lembrava mais dela, para falar a verdade, mas circulando pela Livraria Cultura outro dia descobri que havia saído uma nova edição e todo contente fui logo folheando o livro, namorando com o indicador alguns parágrafos, lendo a introdução e as orelhas, e sem medo de ser feliz, tomei coragem e fui passar o livro na maquininha de código de barras e quase tomei um choque, perdi o rumo, fiquei desolado de verdade e pensando, mais uma vez, por que é que no Brasil os livros custam tão caro! Covardia, puxa vida.

Como de hábito, fui vasculhar na internet, naquele bom site dos sebos, e encontrei uns dois volumes, mas um estava com rasuras e o outro valia quase o preço do novo, então deixei pra lá mesmo. Mas não é que o destino foi legal comigo? Pois um dia, caminhando pela Domingos de Morais, topei com um rapaz vendendo de maneira improvisada vários livros distribuídos pela calçada, todos por dez reais, e entre eles, gritando meu nome, o ZAMM (para os íntimos) e em ótimo estado, apesar de ser uma edição de 1984. Beleza.

Fui lá eu todo contente e empolgado devorar a obra. Gostei do comecinho, um cara e seu filho na moto, por uma estrada antiga das planícies americanas, vento úmido e morno na cara, o cheiro dos pântanos entrando pelas narinas enquanto se comem os quilômetros de velhas estradas vicinais... A moto avançando, o fruir da paisagem, vontade louca de fazer o mesmo, saudades da minha XL 95....

Quem já teve moto sabe muito bem o que o Robert quis dizer quando escreveu as seguintes linhas:

“Quando a gente passa as férias viajando de moto, vê as coisas de um jeito completamente diferente. De carro a gente está sempre confinada, e como já estamos acostumados, nem notamos que tudo que vemos pela janela não passa de mais um programa de televisão. Sentimo-nos como um espectador, a paisagem fica passando monotonamente na tela, fora do nosso alcance.”

“Já na motocicleta, não há limites. Fica-se inteiramente em contato com a paisagem. A gente faz parte da cena, não fica só assistindo, e a sensação de estar presente é esmagadora. Aquele concreto zunindo a uns quinze centímetros da sola dos pés é real, é o chão onde se pisa, está bem ali, tão indistinto devido à velocidade que nem se pode fixar a vista nele; e, no entanto, para tocá-lo basta esticar o pé. A gente nunca se desliga daquilo que está acontecendo.”

A história que se seguirá é de certa maneira simples e fácil de resumir: um homem na faixa dos quarenta anos decide, no verão de 1968, empreender uma viagem de moto de Minnesota a São Francisco junto com um casal de amigos, John e Sylvia, levando na garupa seu filho, Chris, na época com onze anos.

É basicamente um romance de estrada, mas não é só isso. Aliás, a estrada, de fato, serve apenas como cenário para uma encenação literária muito mais complexa do que o deslocamento dos personagens. O narrador, em primeira pessoa, não é nomeado na obra, mas você facilmente percebe que quem viveu a história foi o próprio Robert, sendo Chris o seu filho na vida real, assim como o casal de amigos. Definitivamente, estamos diante de uma narrativa de viagem de cunho autobiográfico.

Enquanto a viagem acontece no plano da ação, Robert cria uma regra que determina todo o andamento da leitura. Recorre a uma estranha palavra - chautauqua -, uma espécie de palestra popular em voga no século XIX nos EUA, que visava “edificar, divertir, aprimorar o raciocínio e fornecer cultura e informação ao espectador”, segundo as palavras do próprio autor, para introduzir alguns conceitos profundos (pelo menos para os não-iniciados) sobre filosofia, ou mais especificamente, sobre o conceito de Qualidade dentro do sistema filosófico.

E aqui, precisamente, temos um problema: se você imaginava, assim como eu, que encontraria nessa obra um tanto de aventura e outro tanto do barato zen, à moda de um Kerouac e seus vagabundos iluminados, pode esquecer. Mas veja lá, o próprio autor adverte em nota que sua obra não trata mesmo disso, de modo que o zen só aparece pincelado, bem de leve, ao longo da narrativa.

Até aí, tudo bem. Mas o que pode assustar uma pessoa desavisada é o peso que tem, no corpo da obra, as longas divagações filosóficas do autor. Devo admitir que, a princípio, fui me aborrecendo com o Robert Pirsig por conta de suas longas e por vezes chatíssimas chautauquas. Muitas delas eu até pulava, porque o que mais me interessava ler era a descrição da viagem e as relações interpessoais, muito mais interessantes para mim.

Claro está que o problema não se encontra na obra, e sim no limite intelectual do leitor, pouco aficionado por filosofia. Mas isso não quer dizer que eu não tenha gostado do livro, não mesmo. Só que, ao envolver-me com a leitura, tomei mais empatia pelos outros personagens do que pelo próprio narrador, a quem considerei – tenho vergonha de admitir – um daqueles caras cuja inteligência avançada é proporcional à falta de charme e chatice; acho que se você também não se empolga muito com esse tipo de gente irá entender o que digo. (Agora, relendo o que acabei de escrever, penso que exagerei um pouco na dose; o narrador não é tão chato e desprovido de charme assim).
Outra peculariedade que causará estranheza é a presença de um personagem crucial na construção da história: o fantasma Fedro, não no sentido caricato que se tem dos fantasmas do além-túmulo, mas um tipo de duplo do narrador, que você mais tarde, na terceira parte da obra, irá compreender melhor de quem se trata. Preste muita atenção na presença de Fedro nesta narrativa, que é uma das chaves de leitura de todos os acontecimentos que compõem os aspectos biográficos do autor.

No meu caso, entretanto, o que mais me chamou a atenção foi a relação do narrador com seu filho Chris. A bem dizer, esta obra trata fundamentalmente da relação narrador(Robert)/Fedro/Chris. Se você é do tipo que curte psicologia, certamente irá aproveitar muito essa leitura.

A relação vivida entre o narrador e seu filho é bastante peculiar. A viagem, em si, já me parece estranha (por conta da presença de uma criança) se levarmos em consideração o ritmo empreendido; são muitos dias de viagem em cima de uma moto, sofrendo as duras instabilidades climáticas, calor e frio alternadamente, dormindo a maior parte do tempo em beira de estradas, sem nenhum objetivo definido. Os planos, para o narrador, “são propositalmente vagos; queremos mais viajar do que chegar a algum destino”.

Fico pensando se esse “queremos” inclui de fato o desejo de Chris; em algum momento da narrativa fica claro que o garoto não parece entender bem a dinâmica da viagem, que aos olhos de um adulto sugere uma aventura encantadora, mas será o mesmo para um garoto de 11 anos? Provavelmente não, e no fundo seu pai percebe isso, embora não pareça se importar muito com a opinião dele. Seguir viagem é o que interessa, e talvez, como sugere o final da obra, haja um motivo para que tudo tenha acontecido daquela maneira.

Ainda assim, a impressão que temos é a de que o narrador é um pai impaciente, que demonstra algumas vezes não se conformar com o fato de que seu filho de 11 anos não tem a capacidade de acompanhar o seu raciocínio lógico; é bem provável que seja isso, que tenha lhe faltado um pouco de psicologia infantil e um olhar mais apurado certamente encontrará outras inúmeras possibilidades de interpretação. A dica, talvez, seja a de ler (ou reler) a obra sob o ponto de vista do garoto, o que me parece uma opção bastante atraente.

Enfim, mesmo com todas as complexidades que envolvem essa trama sob duas rodas, senti uma leve tristeza ao terminar a leitura. Não sei bem explicar o motivo, talvez minha tristeza (ou seria melancolia?) tenha sido causada por conta de algumas passagens meio deprês da obra, relacionadas quase sempre com o passado do autor/narrador. (nota: leia a pequena biografia de Robert Pirsig no final desse post e você entenderá o que estou dizendo. Aliás, entenderá melhor ainda a obra como um todo).

Selecionei pequenos trechos para que você tenha uma ideia do estilo da escrita do autor. Primeiro, sobre a arte da manutenção de motocicletas:

“Nem todos compreendem que a manutenção das motocicletas é uma operação completamente racional. A maioria das pessoas pensa que é uma questão de ‘queda’ ou de ‘afinidade pelas máquinas’. Estão certas, mas essa ‘queda’ é quase inteiramente um processo racional, e a maioria dos problemas são causados por ataques de burrice, falhas no uso apropriado do raciocínio. A motocicleta funciona inteiramente de acordo com as leis racionais, e o estudo da arte da manutenção das motocicletas é, no fundo, um estudo em miniatura da arte da própria racionalidade.”

Como você pode imaginar, a motocicleta e suas implicações mecânicas (funcionalidade, conserto, manutenção) são metáforas utilizadas pelo autor para introduzir questões profundas de ordem interior. Só que, ao invés de explorar o campo da espiritualidade, Pirsig opta pela sabedoria dos antigos filósofos para atingir algum grau de compreensão mais elevada, no que parece dar-se muito bem. Ainda assim, em alguns poucos trechos da narrativa é possível captar o espírito do zen que, afinal, dá título à obra, como na breve passagem abaixo assinalada, num momento em que o narrador faz alguns ajustes na motocicleta:

“O primeiro tucho está em ordem, não precisa ser ajustado, e eu passo para o seguinte. O sol ainda vai demorar muito para brilhar sobre estas árvores... Quando estou fazendo isso, sinto-me como se estivesse na igreja. O calibrador é uma espécie de ícone sagrado, e estou realizando com ele um rito religioso. É membro de um conjunto denominado ‘instrumentos de precisão’, que tem um profundo significado no sentido clássico. (...) A motocicleta é isso, um sistema de idéias moldado em aço. Nela não há peças nem formas que não sejam fruto do pensamento de alguém...”

Sobre montanhas e viajantes

“Depois de uma boa noite de sono, Chris e eu enchemos as mochilas com o maior cuidado, e já estamos subindo pela encosta há uma hora. Aqui no fundo do desfiladeiro a floresta é formada quase que exclusivamente por pinheiros, com alguns choupos e arbustos de folhas largas. De vez em quando, a trilha leva a uma clareira forrada de relva e iluminada pelo sol, à beira do regato do desfiladeiro, mas em seguida penetra novamente na densa sombra dos pinhais. O chão da trilha está coberto de uma camada fofa e úmida de agulhas de pinheiro. O silêncio é completo.”

“Montanhas como esta, e histórias de viajantes que as escalam, encontram-se tanto na literatura Zen, como nos mitos das mais importantes religiões. A alegoria da montanha física, que representa a escalada espiritual que a alma deve empreender para alcançar seu objetivo é estabelecida de maneira fácil e natural. A maioria das pessoas, como aquelas que moram no vale lá embaixo, ficam contemplando as montanhas espirituais a vida inteira, mas nunca se resolvem a escalá-las, contentando-se em ouvir as peripécias que lhes contam os que lá estiveram; assim, evitam as agruras da subida. Outros viajam acompanhados por guias experientes, que conhecem as rotas mais propícias e menos perigosas para atingir o destino desejado. Poucas dessas pessoas logram êxito, mas às vezes, com força de vontade, sorte e motivação, algumas conseguem chegar ao cume e, uma vez lá, têm o privilégio de descobrir que não há um único caminho nem um número fixo de rotas. Existem tantos caminhos quantas são as almas.”

“Na Índia, Fedro escreveu uma carta sobre uma peregrinação feita por ele, em companhia de um guru e seus seguidores, ao monte Kailas, onde fica a nascente do Ganges e a morada do deus Siva, no alto do Himalaia. Ele não chegou até a montanha. Desistiu no quarto dia, exausto, e a peregrinação prosseguiu sem ele. Para justificar-se, disse que tinha força física, mas que só isso não bastava. Tinha também a motivação intelectual, mas isso também não era suficiente. Ele não achava que tinha sido arrogante, mas que estava fazendo a peregrinação para enriquecer sua própria experiência, para aumentar seus conhecimentos. Estava tentando usar a montanha e a peregrinação para atender a objetivos individuais. Para ele, a entidade visada era ele mesmo, não a peregrinação nem a montanha; ele não estava preparado para enfrentar aquela experiência. Deduziu que os outros peregrinos, que chegaram ao destino, provavelmente captaram a santidade da montanha de maneira tão intensa que cada passo era um ato de adoração, um ato de submissão àquela santidade. A santidade da montanha infundida nos seus espíritos permitia-lhes suportar a jornada com muito mais facilidade do que ele, que era fisicamente mais forte.”

“Aparentemente, não há qualquer diferença entre a escalada egocêntrica e a escalada desprendida. Ambos inspiram e expiram à mesma velocidade. Ambos param quando estão cansados. Ambos prosseguem depois de descansar. Mas como são diferentes! O alpinista egocêntrico é como um instrumento descalibrado. Está sempre atrasado ou adiantado na caminhada. Corre o risco de deixar de ver a beleza dos raios de sol passando através das copas das árvores. Ele prossegue mesmo cansado, a passos trôpegos. Descansa nas horas erradas. Fica olhando para cima, para ver o que o aguarda, mesmo quando já sabe o que existe adiante, porque já olhou para lá há apenas um segundo. Vai muito depressa, ou muito devagar em relação às condições reais e, ao falar, fala sempre sobre outro lugar e outras coisas. Está aqui, e, ao mesmo tempo, não está. Rejeita o presente, não se conforma com ele, quer prosseguir, mas, ao atingir o ponto desejado, fica tão insatisfeito quanto está agora, porque o lugar antes distante se transformou no ‘aqui’, no lugar presente. Aquilo que ele procura, aquilo que ele deseja, está ao redor dele, mas ele não aceita, justamente porque está ali pertinho. Cada passo requer um tremendo esforço, tanto físico quanto espiritual, porque ele imagina que o seu objetivo é externo e distante. Parece que é esse o problema do Chris.”

Pois é, essa emblemática afirmação final refere-se a uma caminhada extenuante nas montanhas onde pai e filho tentaram (sem logro) atingir o cume. Ô Seu Robert Pirsig, o moleque só tem onze anos! E a gente, que só de ler sobre essa escalada já se cansa! Enfim, quem somos nós para dar palpite na educação dos filhos alheios, certo? Pois é, e eu que comecei a leitura empolgado e que de vez em quando desanimava com as divagações filosóficas do motociclista quarentão, acabei sendo pego de surpresa nas últimas páginas, quando parte do mistério sobre o passado do narrador nos é revelado. Claro que não vou entregar o final, mas garanto a você que as últimas linhas desse romance fazem toda a leitura valer a pena – especialmente se você conseguir captar, no último diálogo entre pai e filho, a mensagem cifrada que eu, sinceramente, não sei se foi escrita de maneira consciente pelo autor. Mas isso, para mim, também não tem a mínima importância...

Pequena e descompromissada biografia do Robert Pirsig



Robert M. Pirsig, escritor e filósofo estadunidense, nasceu em 1928. Foi uma criança precoce, com um QI de 170 aos 9 anos de idade. Por conta disso, adiantou-se nos estudos e aos 15 já havia ingressado na Universidade de Minnesota.

Serviu o exército na Coréia. Em 1950 foi para a Índia estudar filosofia oriental em Benares. Entre os anos de 1960-63 foi internado em instituições mentais, tendo sofrido um sério colapso nervoso. Foi tratado a base de terapia de eletrochoque e teve o diagnóstico de esquizofrenia paranóica e depressão.

Do primeiro casamento teve dois filhos: Chris, em 1956 e Ted, dois anos depois. Casou-se pela segunda vez em 1978 e teve uma filha, Nell, em 1981. Publicou poucos livros depois de ZAMM, nenhum deles tendo atingido o mesmo êxito de seu livro famoso.

Raramente aparece na mídia; evita o assédio público e viaja rotineiramente de barco pelo Atlântico, tendo vivido em diversos lugares dos Estados Unidos e em algumas cidades europeias.

Em 1979, contando com apenas 23 anos de idade, Chris é assassinado durante uma tentativa de assalto, à saída do San Francisco Zen Center.

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Leia: Zen e a arte da manutenção de motocicletas – uma investigação sobre valores, de Robert Pirsig. Minha edição tem uma capa muito feinha, é de 1984 e saiu por aqui pela Editora Paz e Terra. A tradução é de Celina Cardim Cavalcanti.
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As fotos que você vê aqui (John, Robert, Sylvia e Chris) foram tiradas pelo autor do livro com sua própria máquina fotográfica durante a viagem em 1968, Ano do Macaco no horóscopo chinês.
A foto lá de cima é a capa de um audiobook lançado lá fora; o cara das unhas sujas lendo o livro, esse eu não sei quem é, mas achei que tem bem o "espírito da coisa"...

7 comentários :

  1. Oi Pá, fiquei super curiosa com esta leitura, quando nos encontrarmos vc terá que descrever tudinho. Adorei as fotos e a matéria, bem interessante! Beijocas, Pá

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  2. Gostei demais da tua expressão... observando os dois lados, não julgando mas mesmo assim colocando teu ponto de vista, um texto interessante, enfim. Pra quem não pode comprar o livro (livros, hoje em dia, são caros mesmo), aqui tem o pdf: http://www.josenorberto.com.br/robert_pirsig_-_zen_e_a_arte_da_manuten%C3%A7%C3%A3o_de_motocicletas.pdf Não curto ler no PC, mas quando bate a falta de grana, não é pecado... Não sabia que o Chris tinha sido assassinado, triste isso. Gosto de fazer releituras, nossa visão vai mudando muito à medida que envelhecemos (ou amadurecemos, sei lá) e mais ainda quando temos filhos. Continue escrevendo (e lendo)!

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    1. Que bacana, Vera, o seu comentário, o link... concordo contigo, nossas leituras mudam mesmo conforme amadurecemos - um ótimo exercício de autoconhecimento. Continuarei escrevendo, pode deixar! Namastê.

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  3. Eis um livro que me "pegou". Denso, de fácil leitura por momentos e em outros, te deixa "empacada". As metáforas filosóficas, utilizando a manutenção da motocicleta, são deliciosas. Não cheguei ao final e resolvi procurar na web opiniões. Há resenhas interessantes sobre a obra. Creio-me agora pronta para ler dois livros que tenho adiado - On the road e Retornando ao Silêncio.

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  4. Você está certa, Tania. Algumas leituras pedem o tempo certo para serem exploradas. Boas leituras!

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  5. Olá P.Césare. O cara de unhas sujas lendo o livro na primeira foto é Ollie Foran, que comprou a BMW de John e Sylvia Shuterland.

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