quarta-feira, 17 de março de 2010

Peregrinas brasileiras: mulheres no Caminho de Santiago

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Houve uma época, lá pelo finalzinho dos anos noventa, início do segundo milênio, em que peregrinos brasileiros eram “figurinhas fáceis” no Caminho de Santiago. Paulo Coelho abriu a porta e muita gente aceitou o convite: vamos lá embora prá Compostela, ver que lance maluco é esse de peregrinação!

E foi aí que, precisamente, nascia um imaginário jacobeo todo especial para nós aqui do Brasil. Gente morena e bronzeada atravessando o mar disposta a percorrer centenas de quilômetros numa terra distante, abrindo mão de conforto e lazer só para dar um abraço no Apóstolo Tiago. Foi mais ou menos assim que aconteceu. Primeiro foi um, depois foi outro, depois mais um... e quando a espanholada percebeu, uma invasão brazuca tomou conta do Caminho.

Essa brasileirada, no começo, chegou a assustar um pouco os espanhóis mais tradicionais. E por que isso? Bem, você tem que imaginar a seguinte situação: já é meio esquisito para o padrão dos espanhóis que vivem à margem da rota jacobea ver passar pelas portas de suas casas um tipo de gente diferente dos estrangeiros branquelos que há gerações passam por lá: alemães, franceses, holandeses e belgas, em sua maioria, além dos nativos, claro.

Os europeus, para peregrinar, já saem andando da porta de suas casas, não precisam atravessar o mar para isso, mas os brazucas, não. Além disso, chegam ao Caminho “apadrinhados” por um escritor praticante de bruxaria, que foi obrigado, depois de alguns mal-entendidos, a mudar algumas passagens de sua obra onde afirmava que um padre e uma hospitaleira francesa eram bruxos. Uma bobagem para nós, mas não para eles que guardam na memória uma amarga passagem pela Inquisição, certo? Certo.

Daí que, aqueles que foram no embalo do mago, voltaram de suas viagens cheios de coisas prá contar prá gente. Alguns escreveram suas memórias, publicando seus diários de viagem e a coisa toda virou uma festa: paulinhos coelhos e paulinhas coelhas mexendo com a cabeça dos moços e das moças cheios de vontade de ir atrás dos seus sonhos, suas espadas, seus segredos templários e discos voadores imaginários. Tem gnomos e duendes lá? Tem sim, e cães amaldiçoados pelo capeta, e bruxas cheias de poderes e poções, e anjos da guarda disfarçados de pastores. Uma doideira esse tal de Caminho de Santiago, diriam alguns.

Parece exagero? E é, claro, mas só até certo ponto, porque de fato essa salada místico/esotérica por um bom tempo fez parte de tudo aquilo que uma pessoa comum associava ao Caminho. Não que isso tenha acabado, mas podemos dizer que essa imagem já não vende com a mesma força de outrora o “produto” Caminho (e nem vou entrar nessa discussão porque não me interessa mesmo).

Muitos relatos de viagem foram publicados desde o Diário de um Mago. Mais de uma centena, o que me parece um número bastante razoável. Dessa primeira leva de peregrinos escritores, cinco foram mulheres. É sobre elas que quero escrever dessa vez.

A primeira peregrina chama-se Lizia Azevedo, fez o Caminho em 1990 na condição de discípula de Paulo Coelho e publicou sua história, O Poder de Domar do Grande dois anos depois, em 1992.


O livro de Lizia é na verdade uma espécie de diário onde ela relata o seu caminho na senda da magia; é instruída por Paulo Coelho e mais da metade do livro trata disso, das dificuldades de uma mulher comum, mãe de dois filhos, que além das tarefas cotidianas ainda tem que se empenhar nas artes mágicas, uma espécie de Paulo Coelho de saias. Ela só chega à Espanha na página 123, e de lá parte na página 181, por isso, se você quiser ler apenas sobre as experiências de Lizia no Caminho, pode começar dali a sua leitura. E vale a pena?

Bom, depende daquilo que se busca. Como documento histórico, vale sim, afinal foi a primeira dama peregrina a se aventurar na literatura odepórica jacobea. Também vale para aqueles leitores interessados nesse lance mais “pagão” do Caminho. Na realidade, o que mais me agrada nessa e nas outras obras que iremos conhecer aqui no blog é o fato de que todas foram escritas num período chave do Caminho de Santiago, um pouco antes ou um pouco depois do Ano Santo de 1993. Foi uma época de grandes transformações para a história da peregrinação compostelana, quando o Caminho ganhou uma projeção que há séculos não se via. Foi também o mesmo período em que eu peregrinei a Santiago e para mim a leitura tem um gostinho especial porque muitos dos personagens que aparecem nessas obras, alguns já falecidos, eu tive o privilégio de conhecer pessoalmente.

Vamos ler um trecho do relato de Lizia? A cena se passou no vigésimo sétimo dia da viagem:

O dia estava quente. Caminhávamos pela estrada. O asfalto consumia as energias e tornava monótona essa parte do Caminho. O som distante de um rio era a única coisa que chamava minha atenção. Eu estava cansada e com sede. Uma placa avisando a quilometragem, localizada num lugar afastado do acostamento, permitia que pudesse descansar um pouco ali. Avisei aos meus companheiros que iria procurar o banheiro do peregrino: a mata. Segui por uma trilha estreita que aparecia por detrás da folhagem.

O barulho das águas do rio começou a ficar mais forte. A descida acabava num monte de pedras que se unia a um lago formado por uma bela cachoeira. Meu desejo se realizara. Tirei os sapatos, suspendi minha calça e coloquei meus pés na água. Ela estava me convidando para entrar não só com sentimento, mas também com todo meu corpo.

Olhei ao meu redor. Vi que não seria possível a ninguém chegar até ali. Tirei toda minha roupa e, calmamente, coloquei os pés nas pedras. Quando dei o segundo passo, meu pé esquerdo escorregou no limo. Algo pontudo penetrou entre meus dedos. Pela dor, calculei que o corte fora profundo. Mergulhei, sentindo a água fria em meu corpo. O prazer e a dor se misturaram. O Caminho exigia de mim, além de suor e lágrimas, meu sangue: a consumação dos mistérios da vida.

Ao sair da água, sentei novamente na pedra para olhar o corte. Eu estava certa. Havia sido profundo. Talvez precisasse levar alguns pontos.

Meu pé, então, latejava. Sinal de inflamação. Uma mulher entrou na igreja carregando flores. Ajoelhou-se para rezar. Assim que terminou sua oração, foi ao altar levar as flores para enfeitá-lo. Ela parecia estar em ritmo de festa.

Encolhida de frio, sentada no banco, só escutava os meus próprios soluços. Eu não escondia minha tristeza. Ela não escondia sua alegria. Era o Caminho de cada uma de nós. A solidão da dor era o que eu estava sentindo. Não podia dividi-la com ninguém. Olhei para Jesus. Talvez estivesse sentindo essa mesma solidão, pregado na cruz.

A mulher caprichava na arrumação do arranjo de flores nos vasos. Absorta em meus pensamentos não percebi quando ela saía da igreja. “Bonita” - disse ela segurando meu braço – “ não se preocupe. Tudo o que você quiser vai conseguir.”

Como instrumento de Deus, ela me transmitia Sua mensagem. Eu tinha certeza. Nesse momento, o sol saiu de detrás das nuvens, iluminando a igreja, atrás dos vitrais, em diferentes cores. O céu parecia ter descido com toda a corte celestial. Eu não vi nem escutei, mas minha alma sentia.

Fora as provas que deveria passar, o Caminho sempre se mostrou cheio de surpresas agradáveis. “Não precisa ficar triste para chegar mais perto de Deus” – disse para mim o padre de Burgos.

Levantei e fui beijar os pés de Jesus. Quando olhei para o chão, vi uma rosa vermelha. Procurei por toda a igreja se tinha mais alguma rosa nos vasos. Não havia. Nesse momento uma enorme força tomou conta de mim, dissipando as nuvens de meu coração e me despertando para as lições do Caminho.

Segundo a Tradição, existem quatro maneiras de a mulher se revelar a Deus. Cada uma tem apenas um modo, um determinado anel para cumprir seu papel no mundo. Aquela que usa o anel da Santa se revela através da doação, do servir. A Mártir é aquela cuja revelação é feita através do sofrimento. A Virgem se revela a Deus por meio da solidão. Ela encarna, ao mesmo tempo, o homem e a mulher. Por fim, a Bruxa, cuja revelação se faz através do prazer. Simbolicamente, retirei o anel de mártir, deixando-o para outra, cuja sina fosse usá-lo. Peguei, então, meu verdadeiro anel de revelação, o qual andei tanto para encontrar: o da Bruxa. Ao sair da igreja, o sol ainda estava no céu, mostrando um novo dia e uma nova mulher que despontava dentro de mim.


No mesmo ano de 1990, Dalva Storchi também peregrinou a Compostela. Seu registro, pequenino, intitula-se O Caminho de Alba: descobrindo Deus em Santiago de Compostela. Dalva, assim como Lizia, foi discípula de Paulo Coelho, como ela mesma escreve, “uma iniciada nas Artes da Magia”.




Chama a atenção no relato de Dalva a maneira como sua prática mágica se entrelaça com um profundo contato com a fé católica. São suas as palavras: “(...) ainda que a vida inteira eu houvesse resistido à Igreja Católica Ortodoxa (sic) com seus dogmas e arbitrariedades, e ao seu eterno ar de dona da verdade, ao clero e ao Vaticano, eu por minha livre e espontânea necessidade buscava o sagrado, o meu laço com a Divindade.”

Essa maneira de se relacionar com o sagrado, tirando de cada religião aquilo que lhe interessa – e descartando o que não interessa ou não se aceita – é uma atitude típica dos novos movimentos religiosos, muito difundida entre peregrinos brasileiros. Até certo ponto existe um comprometimento com a Igreja, mesmo porque o Caminho faz parte da tradição católica, mas o modo como o peregrino opera a sua relação particular com Deus (ou com a Deusa, ou com os deuses) está acima de quaisquer dogmas ou compromissos institucionais. A narrativa de viagem de Dalva Storch é das mais curtas entre as inúmeras obras publicadas; sua viagem teve que ser interrompida várias vezes por causa do estado lastimável de seus pés, e algumas etapas foram percorridas de ônibus. Ainda assim, percebe-se que sua peregrinação foi uma experiência bastante transformadora.

Anna Sharp publica em 1993 A Magia do Caminho Real, provavelmente o relato mais lido entre todos os publicados naquele período. A seu favor, Anna tem uma escrita mais atraente e uma proposta que difere da dos demais autores: o uso do Caminho para aprofundar questões de cunho psicológico/espiritual, uma espécie de terapia de autoconhecimento (segue um pouco o modelo dos livros de auto-ajuda, mas de forma mais sutil). Anna Sharp foi uma espécie de fada-madrinha de muitos peregrinos e peregrinas da “primeira leva”. E, também ela, fez o Caminho a convite de Coelho, de quem se desligou ainda durante a caminhada, num momento de saco-cheio-de-tudo.


Seu livro é gostoso de ler e traz capítulos curtos intercalados de uma forma bem peculiar: a mulher, a peregrina e a terapeuta. As partes mais interessantes, opinião minha, são as que se passam no Caminho. Vamos ler uma passagem?

Desdobrei meu saco de dormir na relva macia; sentia-me absolutamente protegida, e adormeci olhando a Via Láctea, experimentando a sensação de entrega total. Descobrira que o meu dom era da “revelação”... que havia sido sempre assim.

As respostas sempre me foram sopradas, pensei sonolenta. Talvez pelos anjos... Escrevi uma carta para o meu marido, falando de meu amor por ele em trinta anos de buscas e agradecendo a paciência com a minha inquietude; somente um homem muito forte e seguro de si poderia viver ao meu lado: ele era assim e, sem perceber, tornara-se a pessoa mais importante de minha vida. Era o meu chão.

Escrevi agradecida outra carta para Paulo, meu querido guia, desligando-me de qualquer compromisso com a Tradição, abençoando-o e a seu Mestre, ainda desconhecido para mim, pela oportunidade de viver aqueles momentos; respeitei-O por sua sabedoria ao exigir que eu fizesse o Caminho da solidão. Por Seu conhecimento, me entregara ao Divino...

Eu não podia ser sua seguidora; sempre havia tido um mestre, um Mestre Interno já contatado há muito tempo, que me guiara e trouxera até aquele momento; sabia agora que não me julgava, que me aceitava e que nunca me abandonaria. A partir daquele momento o Caminho era MEU”!

Nos dias seguintes, percebi que de alguma forma sutil havia entrado em outro Universo. Era como se tivesse passado de uma dimensão para outra, mais leve e integrada. Meu corpo parecia se movimentar diferente: “eu levava” o meu corpo em vez de “ser levada” por ele.

Como um passe de mágica, o mundo se enchera de vida; conheci vários peregrinos nos refúgios, à noite, tendo sempre momentos de “trocas” altamente enriquecedoras. Falávamos uma só língua (entre holandês, inglês, francês, alemão e espanhol): a do “coração”. Nos entendíamos perfeitamente bem e a nossa despedida podendo ser um “para nunca mais”, já que nenhum de nós sabia qual seria a próxima parada. A liberdade total, a solidão durante o caminhar, são a ética do verdadeiro peregrino: aquele que busca Deus em si mesmo.

Numa tarde de muito calor, cheguei absolutamente faminta e sedenta a San Juan de Ortega, povoado medieval e precioso com apenas cinco casas. Encostado à porta da belíssima igreja românica, onde está a cripta que guarda o sepulcro do santo, estava um cura: “Por favor, senhor, sabe onde fica o refúgio?” – perguntei, apoiada em meu bastão. “A uns vinte ou trinta quilômetros daqui” – respondeu, com cara fechada. Fiz também uma expressão zangada ao perceber que estava mentindo, e novamente me dirigi a ele: “O senhor teria uma faca bem afiada para me emprestar?”. Curioso, me perguntou: “E para que quer uma faca?”. “Para cortar meus pulsos! Vou lhe deixar em culpa por toda a eternidade, pois se recusa a dar abrigo a uma pobre peregrina exausta...”

Caímos juntos na gargalhada, e o simpático Padre José Maria me convidou a entrar em sua casa, onde já estava disposta uma farta mesa com pães, queijos e salames que carinhosamente sempre preparava para os peregrinos cansados que por ali passavam.

Algum tempo depois, num ambiente dos mais calorosos, o cura em frente ao fogão nos preparou sua especialidade: uma deliciosa “sopa de alho”, designando tarefas para todos que iam chegando. E, à tardinha, rezou uma missa, mostrando uma relação bastante íntima e calorosa com Deus. Comunguei agradecida. Lentamente se processava em mim um estado alterado de consciência. Observava o mesmo fenômeno em alguns companheiros que já encontrara mais de uma vez.

(...) Uma tarde, depois da chuva miúda, formou-se no céu um lindo arco-íris, símbolo de meus sonhos de infância; compreendi que havia encontrado o “pote de ouro” tão procurado... estava viva e me amava! O amor transbordava de mim para tudo e todos que me rodeavam. Caminhava em êxtase; já não sabia em que dia do mês ou da semana estava. Tudo me parecia certo e perfeito. Há dias e dias que não me olhava num espelho, mas cantando e andando, me enfeitava com as flores que encontrava, colocando-as desordenadamente nos cabelos. Liberdade total! Nada me faltava.

Dentro da mochila, além de uma muda de roupa e um casaco, levava o saco de dormir que me protegia do frio noturno; muitas noites preferia dormir sob as estrelas, protegida pelo escuro ao meu redor e acordava acariciada pelo sol, com a música dos passarinhos em meus ouvidos. Percebi que nunca me havia sentido tão completa e feliz. Pela primeira vez consegui VER com os olhos do coração a Obra Divina. Apenas eu, o Caminho e Deus. Um.


Depois de Anna Sharp, aparece o relato de Baby do Brasil, (Baby Consuelo, a cantora), figura conhecida no meio artístico brasileiro tanto pela sua aparência exótica quanto pelas suas declaradas opções religiosas. Atualmente, Baby do Brasil se considera evangélica, mas sua imagem ficou muito marcada nas décadas de 1970/1980 por sua ligação com Thomas Green Morton, vulgarmente conhecido como o homem do “Rá”.




Com a obra intitulada Peregrina: meu caminho no Caminho, Baby escreveu um relato interessante, dando uma ênfase especial na sua busca espiritual, com características familiares à onda new age, como você poderá notar facilmente na passagem abaixo:

“Todos soltos no ambiente da alma, sintonizando suavemente numa freqüência de aceitação, amor e liberdade, sabíamos que logo que chegássemos à Espanha estaríamos prontos para decolar nessa outra ‘viagem’ rumo ao Eu e a certeza da chegada era o grande Orgasmo Cósmico em que já nos encontrávamos.”

Apesar do nome, Magda von Brixen é brasileira nascida no Rio de Janeiro. Fez a peregrinação na mesma época em que Baby fez a dela, e não por coincidência: ambas foram ao Caminho com o apoio de Anna Sharp, que após sua viagem a Compostela criou um curso chamado Caminho Real, onde entre outras coisas os participantes aprendem que a endorfina, um neurotransmissor capaz de modificar o estado emocional de uma pessoa, é liberada no organismo após a prática de um exercício físico intenso, como a caminhada. Daí para botar o conceito em prática, basta vontade e dinheiro para atravessar o mar e chegar à terra del Quijote.

Em sua obra, Em terra, pisando estrelas, Magda von Brixen propõe analisar o Caminho de Santiago sob a ótica feminina. Dedica uma atenção especial à questão da mulher em seu processo de transformação interior, mas isso não faz de seu texto um relato feminista, quando muito poderíamos classificá-lo como um relato feminino, que é de fato a proposta desta peregrina.


Logo no início de sua jornada, no pequeno povoado de Roncesvalles, Magda escreve uma passagem que me parece interessante por ilustrar o primeiro momento dos peregrinos brasileiros no Caminho no início dos anos 1990:

“Na Colegiata de Roncesvalles, o primeiro encontro sem fronteiras com peregrinos franceses, holandeses, belgas, alemães e espanhóis. Mistura de emoções em todos os idiomas, gestos e risos valendo mais do que palavras. A irreverência de Baby não agradou ao cura, que também não tinha em boa conta o misticismo verde-amarelo: disse em alto e bom som que brasileiros vinham ao Caminho em busca de bruxarias. O catolicismo espanhol é muito conservador e a tradução do livro de Paulo Coelho na Espanha não agrada ao clero local. Mas Javier, que coordenava trabalhos e movimentos na Colegiata, revelou-se mais irreverente que nós:
- Você é o cura?- perguntei, ao chegar.
- No, soy locura... ”

Essa visão que o cura de Roncesvalles tem sobre os peregrinos brasileiros, tal como é apresentada no relato de Magda, é sem dúvida preconceituosa e generalista. Mas, sem querer justificar a atitude do padre, temos que lembrar que, naquele momento, corria o mundo uma obra em que ele próprio era citado como um dos “bruxos” do caminho de Santiago, como já foi dito.

Com os livros de Magda e Baby um ciclo se fecha; até o final de década de 1990 poucos relatos serão publicados, até que em 1999, um Año Santo (assim como 2010, pois 25 de julho, dia de Santiago, cai em um domingo), dá-se o boom de brasileiros e brasileiras no Caminho. Com eles chegarão dezenas de relatos de viagem e uma nova geração de peregrinos pós-Coelho, ainda que, de um modo ou de outro, a pegada “místico/esotérica” continue presente na maioria dos relatos. Mas isso fica para um outro post. Ultreya!




2 comentários :

  1. Paulo, ri tanto, nos seus comentários, que fiquei com o maxilar doendo, sem brincadeira. Vc é dez, beijocas, Pá

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  2. Só você Paula! Obrigado pelos toques, troquei a foto como você sugeriu, eu mesmo não havia gostado daquela outra...bjs, pc

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