sábado, 9 de janeiro de 2010

Que cheiro é esse? by Paul Lynch

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Num outro post eu escrevi sobre o papel da música na experiência da viagem, de como nossas andanças muitas vezes estão marcadas por uma ou várias trilhas sonoras.

Tão marcante quando o sentido da audição, o olfato também nos traz lembranças imediatas de um lugar, de uma pessoa, até mesmo de um período extenso de nossa vida; o perfume de uma dama da noite, plantada no jardim da casa onde você viveu seus primeiros anos de vida, sempre lhe trará a lembrança de sua infância, ou não? Apenas um exemplo de como somos afetados emocionalmente pelo olfato.

A seguir você lerá um artigo que traduzi de um site que sempre me lembro de acompanhar, já linkado aqui no Odepórica, o World Hum. Um texto leve, curto e simpático que irá lhe agradar.

Que cheiro é esse?


Uma jornada de mil milhas começa com uma simples fungada.
Não é exatamente a famosa citação de Lao Tzu, mas chega bem perto. Dito assim, será que as cidades e os países possuem um odor único?

Uma viagem deve expandir a mente, mas com mais freqüência ela dilata as narinas, dependendo do destino. Você não tem que ter um nariz tão proeminente como o de Cyrano de Bergerac para capturar no ar o cheiro vindo da fábrica de cervejas Guinness em Dublin e também não necessita de um GPS para lhe indicar a direção de Faridabad, a vasta cidade industrial ao norte de Nova Delhi. O fedor vai lhe dizer quando você chegar lá.

De qualquer modo, num teste de olhos vendados, você seria capaz de farejar a diferença entre Marrakesh e Hong Kong? Se você já visitou essas cidades, há grandes chances de que você consiga se lembrar instantaneamente dos aromas. Marrakesh com sua fumaça de lenha, especiarias e resinas aromáticas misturados com o cheiro dos curtidores da Medina – uma mistura pungente que te acompanha muito tempo após a sua partida – e a fragrância saturada de peixe seco dos pratos de macarrão cozido das ruas de Hong Kong.

A cidade do Cairo reivindica o indesejado título de cidade com os mais altos níveis de aroma de hidrocarbono - um termo cientificamente poético de dizer que o ar fede e é poluído, mas você sabe onde você está.

Os odores provêm das moléculas dos objetos; tudo, desde o cheiro forte de um tipo de queijo até o fedor de um gambá morto numa estrada no calor de quarenta graus de uma cidade do interior. Todos esses cheiros colaboram na criação do aroma específico de uma região.

Algumas cidades têm orgulho de sua reputação pungente. Rotorua, na Nova Zelândia, por exemplo, se auto-proclama como a cidade mais insalubre do planeta – os vapores de origem vulcânica sulfúrica são capazes de sufocar um cavalo a cem metros do local. Não há como se enganar que você se encontra ali: basta dar uma olhada na figura do cavalo ofegante no balcão da Air New Zealand.

Felizmente, nem todos os aromas te levam a buscar uma máscara de gás. A suave brisa de verão no final da tarde carrega o cheiro das prímulas do jardim das Tulherias em Paris, ou num passeio à noitinha nos jardins de Tivoli, em Copenhaguem.

Todos nós temos fotografias e vídeos que nos lembram dos lugares visitados, mas o que dizer de um souvenir aromático? Talvez algum dia um sistema de remoção de cheiros irá permitir que os viajantes tenham a chance de provar previamente uma amostra do cheiro da cidade a ser visitada. Algumas virão com uma advertência: “Tenha cuidado ao abrir o lacre da cidade de Vientiane, no Laos, o lar de origem do Cha-om, o vegetal mais fedorento do mundo”.

Seja lá o que aconteça, lembre-se de respirar profundamente quando você for viajar, e deixe as moléculas dizerem onde você se encontra.


by Paul Lynch

2 comentários :

  1. Bacana este post Paulo. Fiquei curiosa para sentir os cheiros dos lugares aqui sitados. Espero ter a oportunidade de conhecê-los. Beijos, Paula

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  2. Se você se comportar eu e levo, há há há!
    Já disseram que você está uma gata nessa foto?
    besito, pc

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