quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Notícias de um país distante, by Christian Schwartz (Gazeta do Povo)

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Foi publicada no jornal paranaense Gazeta do Povo, uma excelente matéria intitulada Notícias de um país distante, assinada por Christian Schwartz, que brinda o leitor com um texto de alta qualidade, tanto pela escrita quanto pelas fontes por ele utilizadas.


Schwartz conseguiu fazer uma abordagem muito clara sobre a literatura odepórica (o jornalista adota o termo inglês travel writing) apresentando alguns autores pontuais dentro desse gênero ainda pouco tradicional em nosso país, como ele mesmo notou, além de levantar questões fundamentais sobre a literatura odepórica tais como: Existe futuro para a literatura de viagem? Existe algum sentido em se falar desse gênero literário na era da internet?

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Vou postar a reportagem na íntegra; os três primeiros textos são de Christian Schwartz e o último, intitulado Saint-Hilaire e as trilhas da identidade foi escrito por Marcelo Lima, que publicou um livro que leva o mesmo título de seu artigo e que parece ser interessantíssimo levando-se em conta a riqueza de informações encontrada na matéria que você irá ler aqui no Odepórica. Boa viagem.

Notícias de um país distante


Livros de viagem, que antes se ocupavam de falar dos lugares, cada vez mais se voltam para os relatos que tratam de pessoas.



Publicado em 16/01/2010 Christian Schwartz, especial para a Gazeta do Povo

É tempo de viajar. Aeroportos e rodoviárias abarrotados, destinos turísticos tentando comportar o dobro ou o triplo de sua população normal, cada vez mais gente pegando a estrada: por terra mesmo, mas também por céus e, por que não, mares – na onda dos cruzeiros a preços acessíveis até à chamada “classe C emergente”.


Mas houve época em que ir conferir in loco a boa-nova de terras distantes era impossível, ou coisa para muito poucos.


Em lugar do guia de viagem de hoje – livros de utilidade prática que pressupõem a repetição de um percurso e se dedicam a facilitar a vida de quem vai fazer o mesmo passeio de um “desbravador” – havia o relato de viagem, que não se limitava, vale dizer, ao diário de bordo. Toda uma tradição se formou em torno do que, em inglês, passou a se chamar travel writing. Nasciam um tipo de autor e um gênero de texto: os aventurosos escritores-viajantes e sua colorida literatura de viagem, cheia de imaginação, pois era preciso deslumbrar um leitor que jamais botaria os pés naqueles mesmos lugares.


A tradição remonta aos gregos – e o que mais é a Odisséia, de Homero, senão uma jornada por terras distantes? – e às peregrinações de Abraão no Velho Testamento, com escalas obrigatórias no Oriente dos épicos de Gilgamesh e Mahabharata, ou ainda nos relatos de grandes aventureiros como Marco Polo e os descobridores portugueses e espanhóis – basta lembrar os diários sobre o Novo Mundo deixados por um Pero Vaz de Caminha ou um Américo Vespúcio.


Os séculos seguintes foram de exploração das colônias por seus respectivos impérios. E, particularmente entre franceses e ingleses, surge a figura do escritor-viajante munido de curiosidade científica – não à toa muitos naturalistas, como Saint-Hilaire em sua passagem pelo Brasil, e até mesmo Darwin deram suas “voltas ao mundo” para desbravar novas paisagens e espécies. Deixaram o tipo de relato que pode ser considerado ancestral direto do que viriam a fazer – ou, em alguns casos, já começavam a publicar – aventureiros típicos do século 19 e início do 20.


Essa literatura de viagem que tem um pouco de antropologia, outro tanto de cartografia – afinal, nem todos os mapas estavam desenhados, àquela altura – e muito de reportagem foi a tônica entre os escritores-viajantes que, aproveitando-se de sua condição de “civilizados”, oriundos das metrópoles, iam buscar impressões sobre a gente e os lugares mais “exóticos”. Existirá hoje algum recanto intocado, habitado por povo tão peculiar, que ainda justifique esses escritores e suas aventuras?


Ou, conforme se perguntou, em artigo recente, o escritor William Dalrymple, ele próprio um dos expoentes da atual literatura de viagem em língua inglesa: “(...) existe realmente algum sentido em se falar desse gênero literário na era da internet, quando é possível obter informação confiável, e instantânea, sobre qualquer lugar do globo?”


Dalrymple aponta que, durante quase uma década, entre os anos 70 e 80, a literatura de viagem foi a vedete. “Ela reemergiu num momento de desencanto com o romance”, explica, “e parecia estar se tornando uma séria concorrente para a ficção. Um escritor poderia continuar a usar as técnicas do romance – era possível desenvolver personagens, selecionar e delinear a experiência da viagem numa série de cenas e episódios, ordenar a ação de modo a conferir à narrativa uma forma e um ritmo – mas escrevendo sobre fatos reais. E, além disso, ao contrário da ficção, a literatura de viagem vendia bem.”


Foi, entre as muitas “épocas de ouro” da literatura de viagem, só a mais recente, cujos marcos se deram, quase ao mesmo tempo, com a publicação de dois livros: O Grande Bazar Ferroviário (Objetiva), de Paul Theroux, que percorreu o planeta, quase literalmente, usando o meio de transporte que um dia revolucionou os deslocamentos; e Na Patagônia (Cia. das Letras), de Bruce Chatwin, um mergulho no mundo selvagem contado com sutil poesia. Ao lado dos dois, estavam no auge nomes menos conhecidos – e até hoje praticamente inéditos no Brasil – como Leigh Fermor.


Por fim, já em 1984, a prestigiosa revista literária britânica Granta dedica um número inteiro à literatura de viagem – inspiração também, ainda que não declarada, da Granta brasileira em sua edição número dois, no primeiro semestre de 2008, intitulada Longe daqui. As memórias de viagem de Edmund White, outro assíduo freqüentador da travel writing, sobre o deslumbramento de um americano na Europa valem a edição.


William Dalrymple lança o desafio: “existe futuro para a literatura de viagem?” Ele responde que sim, há uma excelente nova geração de escritores-viajantes na ativa, mas ressalva: “Se, no século 19, a literatura de viagem era principalmente sobre lugares – tratava-se de preencher certas lacunas nos mapas descrevendo lugares remotos que poucos haviam visitado – a melhor literatura de viagem do século 21 é quase sempre sobre pessoas: explora a extraordinária diversidade que ainda existe no mundo sob a superfície da globalização”.


Para o filósofo francês Michel Onfray, autor de Teoria da Viagem (L&PM), a palavra escrita, além do mais, é insubstituível como veículo da memória de quem viaja – uma apologia às diversas formas assumidas pelo relato de viagem: o atlas, o poema, a prosa em suas diversas vertentes, até mesmo os “utilitários” guias... “Os lugares do mundo convergem para as telas informáticas ou televisivas, tristemente semelhantes à sua realidade, mas engaiolados (...)”, protesta Onfray. “Qualquer linha de um autor, mesmo medíocre, aumenta mais o desejo do lugar descrito do que fotografias, muito menos filmes, vídeos ou reportagens. Entre o mundo e nós, intercalaremos prioritariamente as palavras.”


Viagens pelo coração do Brasil revisitadas




A literatura de viagem não tem no Brasil a mesma tradição que lá fora, sobretudo nos mundos de língua inglesa – pródigo em aventureiros que são, ao mesmo tempo, grandes prosadores do idioma – e francesa, que deu ao mundo alguns dos principais poetas-viajantes (Rimbaud talvez o principal deles) e outros tantos pensadores e filósofos do ato de viajar.


Há, claro, muitos relatos de estrangeiros sobre a terra brasilis – não à toa, de novo, além de portugueses e espanhóis por razões óbvias, ingleses e franceses. Muitos deles, como se sabe, patrocinados no século 19 pela curiosidade do imperador D. Pedro II – ele também viajante contumaz.


Coincidência ou não, alguns dos melhores relatos de viagem escritos por autores brasileiros que resolveram percorrer a imensidão do próprio país são remakes de viagens anteriores. Duas expedições, uma recente e outra nem tanto, dão a medida dessa tendência.


As viagens pelo interior do Brasil feitas, entre 1927 e 1929, pelo escritor modernista Mário de Andrade, e mais tarde relatadas em O Turista Aprendiz, foram repetidas pelo jornalista Miguel de Almeida, então um jovem repórter da Folha de S. Paulo, no início dos anos 80. O resultado da experiência – na época publicado em capítulos regulares no jornal – acaba de ganhar relançamento no livro Na Trilha dos Trópicos (Lazuli), editado pela primeira vez logo após a viagem.


Euclides da Cunha, muito conhecido pelo trabalho como correspondente de guerra na campanha de Canudos e pelo clássico daí resultante, Os Sertões, se aventurou também pela Amazônia. Engenheiro de formação e ex-militar, Euclides foi nomeado chefe da Comissão Brasileira de Reconhecimento do Alto Purus e, durante alguns meses do ano de 1905, comandou uma expedição cheia de percalços ao Acre. Chegou a passar fome e sofreu com surtos de malária, experiência que resultou nos textos de À Margem da História (Martin Claret) – na verdade, apenas a parte que conseguiu concluir, antes de ser assassinado, de um volume maior que deveria se chamar Um Paraíso Perdido.

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O itinerário de Euclides foi refeito, por ocasião do centenário de morte do escritor, no ano passado, pelo jornalista Daniel Piza e pelo fotógrafo Tiago Queiroz, de O Estado de S. Paulo. O relato alimentou, por alguns dias, o blog de Piza, além de render material para um documentário dirigido por Felipe Machado. Um resumo da saga desses viajantes, seguindo os passos de Euclides da Cunha na Amazônia, está disponível na internet:
www.estadao.com.br/pages/especiais/euclides (CS)

Peregrinos, andarilhos, vagabundos e “vagamundos”





Por que viajar? Há viajantes de todos os tipos nos dias de hoje, pela facilidade de transportes, claro, mas igualmente porque os destinos possíveis, conhecidos, são muitos, e nem sempre foi assim.


O paradoxo é que, como manda o clichê, o mundo hoje fica logo ali, “à distância de um clique no mouse”. Até existem aqueles que preferem o conforto do sofá de casa ou da tela do computador para uma volta ao mundo particular, mas são minoria. A informação abundante – e, sobretudo, as imagens exuberantes – dos quatro cantos do mundo, para não falar de tudo mais que se encontra pelo caminho, desperta o impulso da viagem.


Além disso, o mundo dito globalizado e suas assimetrias incentivam – quando não obrigam – a migrar. A informação, mais uma vez, sobre destinos que possam garantir um futuro que a terra natal lhe recusa é o que impulsiona, muitas vezes, o migrante.


Para o filósofo francês Michel Onfray, em seu belíssimo ensaio Teoria da Viagem (L&PM), as raízes do desejo de se largar no mundo são mais profundas: “Ninguém se torna nômade impenitente a não ser instruído, na carne, pelas horas do ventre materno, arredondado como um globo, um mapa-múndi”, escreve Onfray, poética mais até do que filosoficamente.


Mas, a quem decide viajar, outra inquietação se impõe de imediato: “Todas as destinações se tornaram possíveis – questão de tempo. Nesse campo dos possíveis, como escolher um lugar? O que escolher? A que renunciar? E por que razões? Nas combinações pensáveis, qual preferir, e por quê?”, reflete o pensador francês, que mais uma vez junta razão com alguma poesia para responder: “(...) cada um dispõe de uma mitologia antiga fabricada com leituras da infância, filmes, fotos, imagens escolares memorizadas a partir de um mapa-múndi, num dia melancólico ao fundo da classe”, escreve. “Existe uma cartografia que corresponde a um temperamento. Resta descobri-la.”


Num bonito texto sobre os dilemas da identidade no mundo atual (From Pilgrim to Tourist, “do peregrino ao turista” – sem tradução para o português), o sociólogo Zygmunt Bauman, polonês radicado na Inglaterra, fala da inevitabilidade da viagem.


Depois de lembrar que a idéia de peregrinação é, no mínimo, tão antiga quanto o Cristianismo, Bauman afirma: “Para os peregrinos de qualquer época, a verdade está em outro lugar; o verdadeiro destino está sempre a certa distância, a certo tempo de viagem daqui. Onde quer que o peregrino esteja agora, não é onde deveria estar, e não é o lugar aonde sonha ir”.


Mais recentemente, porém, quando a palavra de ordem – mais do que simples necessidade – é evitar fixar-se (e até mesmo adotar uma identidade única e imutável), nada restou “remotamente parecido com o senso de propósito e aferrada determinação do peregrino”. Daí a norma: “não planeje viagens muito longas – quanto mais curta, maior a chance de ser concluída”; ao que se poderia acrescentar: para logo viajar para outro lugar. Instaura-se a ditadura do turismo.


Bauman identifica alguns tipos de viajantes que, em busca de definir-se, perambulam pelo mundo, entre eles o “andarilho” – outra tradução possível é “vagabundo” ou, para usar o neologismo já um pouco gasto, mas aqui cheio de sentido, “vagamundo”, aí incluído o migrante que às vezes viaja à força, em fuga; e o próprio turista. Sempre em movimento, como o “andarilho”, o turista se move com um propósito: ter novas experiências; ao contrário do “andarilho”, porém, não se depara com realidades duras e difíceis (apenas com a “vida estetizada e esculpida”) e, principalmente, tem uma casa para onde voltar.


Já Michel Onfray identifica dois tipos de “temperamento” no que diz respeito à necessidade humana de se pôr em movimento: de um lado, há o turista, de novo ele; mas, de outro, em absoluto contraponto, fica o “viajante”.


“O turista compara, o viajante separa”, define Onfray. “O primeiro permanece à porta de uma civilização, toca de leve uma cultura e se contenta em perceber sua espuma (...); o segundo procura entrar num mundo desconhecido, sem intenções prévias, como espectador desengajado (...).”


Há quem se ressinta da predominância do turista sobre o viajante – uma separação também adotada por outro, mais do que filósofo (que de fato ele foi), poeta: Émil Cioran, romeno radicado na França. Conforme lembrou o filósofo brasileiro Luiz Felipe Pondé, em artigo recente, Cioran gostava das praias da Normandia e da Bretanha no verão. Mas se desesperava com as hordas de turistas: “Num desses momentos, ele escreve que os ‘novos bárbaros’ (os turistas) tomaram o lugar dos ‘viajantes’, pessoas que amam conhecer o mundo pra se ‘espantar’ com ele, e não torná-lo seu ‘churrasco na laje em Paris’”, resumiu Pondé, impiedoso. (Christian Schwartz)


Saint-Hilaire e as trilhas da identidade


O naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire percorreu, entre 1816 e 1822, cerca de 8 mil quilômetros pelas principais províncias brasileiras do centro ao sul do país, caminho comum de diversos viajantes que, beneficiando-se da abertura concedida com a vinda de d. João VI, fizeram expedições para catalogar as “terras e as gentes” do Brasil para a expansão dos domínios europeus.


Diferentemente da primeira leva de viajantes e cronistas, que aportaram no Brasil com os portugueses, a geração de Saint-Hilaire valorizava a racionalidade. Os naturalistas da época de Saint-Hilaire eram como repórteres, que, munidos de equipamentos da ciência, relatavam a “vida como ela era”; já os cronistas como Pero Vaz de Caminha, Magalhães Gandavo e Jean de Léry, que chegaram ao Brasil dois séculos antes, podem ser comparados a poetas: sob um imaginário religioso e mágico, em muitos casos tinham uma visão da realidade que contava com elementos fantasiosos.


A geração de Saint-Hilaire foi responsável por mostrar uma visão objetiva do Brasil para as nações modernas que se formavam na Europa. O perfil geológico, botânico, a fauna e os recursos naturais foram contabilizados por esses viajantes, que dominavam vários conteúdos.


Além do estudo da natureza, os viajantes registraram a vida social daquela época. Se quisermos ter uma visão sobre a sociedade no Brasil do século 19, a melhor fonte são os relatos dos viajantes. Os ensaístas que fizeram, a partir do início do século 20, as grandes interpretações do país, serviram-se de maneira abundante das observações dos viajantes. O que estes escreveram sobre o Brasil ajudou a construir a identidade, apesar de ser um olhar de fora, do europeu falando do seu “outro”.


Em janeiro de 2001, refiz o percurso de Saint-Hilaire no Paraná, por onde ele passou em 1820, quando o território integrava a Província de São Paulo. O resultado foi o livro Nas Trilhas de Saint-Hilaire, um diário de viagem em que procurei registrar lugares e pessoas. As fotografias foram feitas por Antonio Liccardo, geólogo e fotógrafo que, três anos mais tarde, fez um livro sobre o percurso do viajante francês em Minas Gerais.


Os 181 anos que separam minha passagem e a de Saint-Hilaire por algumas cidades do Paraná marcam diferenças enormes. Nesse intervalo, o Paraná foi “reinventado”. No território, havia uma meia-dúzia de cidades em 1820, fazendas, escravos, ga­­rimpeiros, tropeiros e proprietários de terra.


À diferença da Província de Minas Gerais e de partes de São Paulo, o território que hoje compreende o Paraná era pouco habitado, mas já tinha algumas marcas de identidade cultural que podem ser observadas até hoje. Trata-se de uma identidade formada por elementos das culturas portuguesa, indígena e negra.


Esses traços foram transformados aos poucos. No final do século 19, o Paraná receberia uma grande leva de imigrantes europeus, trazendo novos elementos culturais ao Estado. Esse dado, no entanto, passou a ser visto como determinante da cultura paranaense. O crítico Wilson Martins, por exemplo, escreveu um ensaio chamando o Paraná de “Brasil diferente”. Nele, afirmou que os elementos europeus não-portugueses foram determinantes na formação da cultura paranaense. A tese de Martins questionava autores que defendiam o papel importante do indígena, do negro e do português na formação do caráter do brasileiro.


A tese de “Brasil diferente” rondou a mente dos paranaenses e foi mote de campanhas oficiais que venderam o Paraná e Curitiba como pedaços da Europa no Brasil. Trata-se de uma identidade cultural que chegou a ser disseminada em livros didáticos, matérias jornalísticas e propagandas oficiais.


Ao percorrer as trilhas de Saint-Hilare, no entanto, descobri um “Brasil diferente” daquele mostrado tanto pelo viajante francês quanto pelo crítico literário. Ele não é mais formado por uma população predominantemente rural, com mesclas de português, índio e negro, tampouco é uma região marcada pela cultura europeia, preconizada na tese de Martins.


Exemplo: um trabalho que vem sendo realizado pelo Grupo Clóvis Moura “descobriu”, recentemente, 87 quilombos no Estado, que, em sua formação, conta com 24% de afrodescendentes. Na região por onde Saint-Hilaire passou – os Campos Gerais, que envolvem cidades como Ponta Grossa, Tibagi, Reserva, Castro e Sengés –, a presença negra chega a 40% da população.


Infelizmente, vêm sendo pouco valorizadas as culturas do negro, do índio e até mesmo do português na formação do Paraná, ocultadas em nome de uma suposta formação europeia, o que, na verdade, revela um certo complexo de inferioridade do Estado e da cidade de Curitiba, até hoje vendida nos guias turísticos pelas suas características europeias. Ações que buscam corrigir esse equívoco devem ser aplaudidas. E a leitura de Saint-Hilaire é um bom começo para mostrar que o Paraná não é um Brasil tão diferente assim.


Marcelo Lima é jornalista e professor. É autor de Nas Trilhas de Saint-Hilaire (2001). A reportagem original publicada no site da Gazeta do Povo pode ser acessada aqui.

Um comentário :

  1. Oi Paulo, estas "questões fundamentais" parecem simples de responder se alguém tem um pouco de conhecimento sobre o assunto aqui tratado. Apenas as resenhas que você publica no Odepórica provam o quanto cativante e inesgotável este tema é. Quando você iniciou este blog, fiquei apreensiva achando que faltaria matéria para você trabalhar, mas de imediato você expandiu o meu horizonte. Sem sombra de dúvida este é um tema inextinguível. Quanto a "era da internet" e blá-blá-blá-blá... você sabe como usar esta ferramenta e vem divulgando maravilhosos textos sobre relatos de viagens e afins neste excelente blog. Beijinhos, Paula

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